
Miguel A. Lopes / Lusa
O presidente do Chega, André Ventura
E ainda José Sócrates, numa história que ainda hoje o PS não admite. Na segunda volta das presidenciais, não há dúvidas.
Hesitou entre António José Seguro e João Cotrim de Figueiredo, mas votou Cotrim.
João Miguel Tavares escolheu Cotrim na primeira volta das eleições presidenciais porque Seguro parecia estar confortável para vencer na primeira volta.
Por isso, sente-se como um dos derrotados da noite de 18 de Janeiro, porque queria ver Cotrim na segunda volta, e não André Ventura.
E, sobre os alertas que se deixam sobre o presidente do Chega, o próprio João Miguel deixou um alerta: “É preciso ter muito cuidado: até hoje, Ventura nunca disse que queria acabar com a democracia. Fala em três Salazares, diz coisas profundamente abjectas, Mas estender, espalhar essa ideia de ser anti-democrático, é perigoso”.
O comentador político voltou a mostrar no Público que é contra as linhas vermelhasque são um “erro político”, considera.
E defende que, nas próximas três semanas, até à segunda volta das presidenciais, a direita deveria ter oportunidade de ser escutada pela esquerda“de uma maneira que – dá ideia – nunca é”.
“Porque esta coisa de andar sempre aos gritos: ‘vêm aí o fim da democracia, vem aí o fascismo’ – é muito aborrecida. E porque muita gente já ouviu esta conversa, muitas vezes, muito antes, incluindo no tempo do ‘fascista’ Passos Coelho”, recordou.
Tem noção de que André Ventura é uma “ameaça ao regimeà Constituição, à democracia liberal como nós temos; uma ameaça como nunca existiu”.
“Mas estar sempre a gritar a propósito disso tem um problema para os profundos descontentes do PS: é um partido que continua sem reflectir sobre o que se passou com José Sócrates. Foi um primeiro-ministro que pôs em causa os fundamentos de um regime, de uma forma que André Ventura até pode querer – mas ainda não teve poder para isso”.
João Miguel Tavares reforça que José Sócrates teve a cumplicidade do PS nas suas alegadas tentativas de controlo de diversos sectores da sociedade. “É impossível não ter tido. Mas, até hoje, o PS não admite isso”.
Na segunda volta, não há dúvidas: vota Seguro. Até porque o outro candidato nem é opção: “Nunca na minha vida vou votar André Ventura. Porque são razões pré-políticasvêm antes da política: mesmo quando Ventura tem razão, coloca sempre uma camada de crueldade e maldade, que vai contra os meus princípios. Princípios que estão antes da política”.
Já sobre António José Seguro, João Miguel Tavares considera que “as pessoas reconheceram independência e coragem – e essa coragem existiu. Foi extremamente hábil em gerir a sua candidatura”, analisou.
