
Fernando Mamede tinha 74 anos.
Fundista terá falecido devido a complicações cardíacas, aos 74 anos. “Recebi a notícia como uma bomba, não estava à espera”, disse Domingos Castro, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) e amigo de Mamede.
Fernando Mamede, um dos maiores nomes da história do atletismo português e detentor, durante mais de uma década, do recorde mundial dos 10.000 metros, morreu esta quarta-feira aos 74 anos, informou o Sporting, clube que representou.
“O Sporting manifesta o seu profundo pesar pela morte de Fernando Mamede, antigo atleta dos ‘leões’ que faleceu esta terça-feira aos 74 anos”, lê-se numa usar publicada pelo emblema de Alvalade no seu site oficial.
Além do recorde mundial dos 10.000 metrosque manteve entre 1984 e 1999, Mamede, nascido em Beja, marcou presença em três Jogos Olímpicos (Munique1972, Montreal1976 e Los Angeles1984).
“Além das inúmeras medalhas, entre elas a de bronze nos Campeonatos do Mundo de corta-mato em 1981, foi recordista europeu e mundial e contribuiu para várias conquistas coletivas do Sporting, sendo até hoje lembrado como uma lenda da modalidade”, recordaram os ‘leões’.
De acordo com a comunicação social portuguesa, que cita fontes da Federação Portuguesa de Atletismo, Fernando Mamede terá falecido devido a complicações cardíacas.
A Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) salientou o “legado” deixado por Fernando Mamede, destacando a carreira de “excelência” e a “dedicação” de uma “figura ímpar”.
“É com profundo pesar que informamos e lamentamos o falecimento de Fernando Mamede, uma figura ímpar cuja carreira foi marcada pela excelência e dedicação, que o levaram a bater um recorde mundial dos 10.000m, três europeus e duas dezenas de recordes nacionais. O seu percurso notável constitui um legado que permanecerá como referência e inspiração”, transmitiu o organismo liderado por Domingos Castro.
Por seu lado, o Comité Olímpico de Portugal (COP) enalteceu, através das redes sociais, “um dos maiores nomes do atletismo nacionalque esteve presente em três edições dos Jogos Olímpicos”, enquanto a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) lamentou a morte de “um atleta de eleição”.
“A morte de Fernando Mamede representa uma enorme perda para todo o Desporto português. Atleta de eleição, foi uma das maiores figuras de sempre do atletismo mundial e uma referência para todos os adeptos da modalidade”, lê-se numa mensagem do presidente da FPF, Pedro Proença, divulgada no site oficial da entidade.
Fernando Mamede foi um “dos melhores do mundo de todos os tempos”defendeu o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), que recebeu a notícia da morte do seu ídolo e antigo companheiro de treinos como “uma bomba”.
“Recebi a notícia como uma bomba, não estava à espera. […] Como companheiro, colega de equipa, [era] um grande homem. Treinámos durante muitos anos juntos, duas vezes por dia, todos os dias. E, realmente, para mim foi uma grande surpresa”, assumiu Domingos Castro, em declarações à agência Lusa.
“Há poucos meses eu recebi um apelo de ajuda e disponibilizei a equipa médica da federação para ir à casa do Mamede, foram, fizeram o que podiam, o que deixaram fazer”, relatou o dirigente federativo.
Castro lembrou que o três vezes olímpico “nunca demonstrou no seu dia-a-dia os problemas que tinha”, aludindo aos problemas de saúde mental do atleta nascido em Beja.
“Isso acontecia só nas grandes competições, porque no dia-a-dia ele era uma pessoa muito alegre, sempre bem-disposta, um grande companheiro. Por isso, quem não conhecia os problemas dele, não se apercebia daquilo que ele tinha”, acrescentou.
Apesar do recorde mundial, e de 27 recordes nacionais e três europeus, Mamede nunca conseguiu confirmar o seu potencial e talento nos grandes palcossendo a medalha de bronze no Mundial de corta-mato de 1981 a honrosa exceção numa carreira intermitente.
“Mamede, Carlos Lopes, Rosa Mota, Fernanda Ribeiro, são o máximo da nossa modalidade. Dificilmente – e oxalá que sim – haverá atletas comparáveis com eles. E daí que, para mim, o Mamede foi dos melhores do mundo de todos os tempos. Agora, imagine se ele não tivesse os problemas que ele teve onde é que poderia ter chegado ainda mais”, destacou o presidente da FPA.
Domingo Castro admitiu que foram Mamede e os três campeões olímpicos que o trouxeram para o atletismo. “Eram os meus ídolos e, por isso, estou muito grato para o resto da minha vida a eles”, concluiu.
