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“A bem ou a mal”, Trump deixa aviso à Dinamarca sobre Gronelândia



Gage Skidmore/Flickr

O presidente dos EUA, Donald Trump

O Presidente norte-americano, Donald Trump, insistiu que pretende adquirir a Gronelândia e garantiu que o fará “de forma branda ou dura”, após a recusa da Dinamarca em vender – avisando o país nórdico que ocupação da ilha há 500 anos não significa nada.

“Só porque desembarcaram ali de barco há 500 anos, não significa que os dinamarqueses sejam donos da Gronelândia”afirmou o presidente norte-americano, aos jornalistas na Casa Branca, esta sexta-feira.

Donald Trump tem preocupado os aliados ao recusar-se a descartar o uso da força militar para tomar à Dinamarca este território autónomo, membro da NATO.

Trump afirma que o controlo desta ilha rica em recursos é crucial para a segurança nacional norte-americana, dada a crescente ameaça representada pela Rússia e pela China no Ártico.

Vamos fazer qualquer coisa quanto à Gronelândia, quer eles gostem ou nãoporque, se não o fizermos, a Rússia ou a China vão fazê-lo. E nós não vamos querer a Rússia ou a China como vizinhas”, afirmou.

“Gostávamos de fazer um acordo a bemmas, caso não seja feito, vamos ter de ser mais duros [e fazê-lo a mal]”, acrescentou.

“Não queremos ser norte-americanos”

Os líderes dos cinco partidos políticos representados no Parlamento da Gronelândia (Inatsisartut) insurgiram-se contra as palavras de Trump e defenderam o direito dos habitantes deste território autónomo dinamarquês a decidirem o seu futuro face às ameaças do Presidente norte-americano.

O futuro da Gronelândia deve ser decidido pelos gronelandeses. A tarefa de determinar o futuro da Gronelândia é realizada em diálogo com o seu povo e com base no direito internacional e no Estatuto de Autonomia. Nenhum outro país pode interferir nisto”, destacaram os líderes do partido, numa declaração conjunta na sexta-feira.

O texto sublinha que esta decisão deve ser tomada sem pressões e sem a ingerência de outros países, e expressa o desejo de que se ponha fim ao desprezo demonstrado pelos EUA em relação a esta ilha do Ártico.

“Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremovamos ser groenlandeses”sublinha a declaração assinada pelo primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsene também endossada por Pelle Broberglíder do Naleraq, o segundo maior partido no Parlamento e o que demonstrou maior compreensão em relação aos EUA.

Os líderes gronelandeses reiteram que o território é governado pelo direito internacional e pelo seu Estatuto de Autonomia, e que os seus habitantes elegem o seu Parlamento e Governo, que “colabora e continuará a colaborar com os EUA e os países ocidentais”.

UM declaração insta ao diálogo “baseado na diplomacia e nos princípios internacionais” e sublinha que este é o caminho “entre aliados e amigos”.

“Continuaremos a trabalhar para desenvolver as possibilidades de alcançar a segurança do nosso povo”, sublinham os políticos no texto intitulado “Somos um só povo”.

O documento foi divulgado antes de Donald Trump, ter afirmado na sexta-feira que não iria permitir que “a Rússia ou a China ocupassem a Gronelândia” e que tinha decidido “fazer alguma coisa” em relação à ilha ártica, “a bem ou a mal”.

Próxima semana pode ser decisiva

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubiotem agendado um encontro na próxima semana com o seu homólogo dinamarquês, Lars Løkke Rasmussene com a ministra dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Viviane Motzfeldtpara discutir o assunto.

Trump tem preocupado os aliados ao recusar-se a descartar o uso da força militar para tomar este território autónomo à Dinamarca, membro da NATO.

A NATO está a trabalhar para reduzir o interesse de Washington na Gronelândia, enfatizando as medidas que tomadas para reforçar a segurança na região e o secretário-geral da NATO, Marcos Rutefalou na sexta-feira com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre esse reforço.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksenalertou que um ataque militar norte-americano para tomar a Gronelândia pode significar o fim da aliança militar ocidental com 76 anos.

A Casa Branca, embora não tenha descartado a opção militar, indicou que Trump estava ativamente a ponderar a compra da vasta ilha ártica, sem especificar que forma poderia fazer esta transação.

Além disso, Donald Trump reconheceu, numa entrevista dada na quinta-feira ao jornal The New York Times, que talvez tenha de escolher entre preservar a integridade da NATO e controlar o território dinamarquês.



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