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a confusão entre ministro e ICNF



PSD/Flickr

José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura e Pescas

José Manuel Fernandes acusado de “pressão ilegítima” e de “ataque inédito a instituições”. Vídeo desmente notícia.

A confusão começou ainda na sexta-feira passada: o jornal Público apresentou queixas de fontes anónimas que tinham como alvo o ministro da Agricultura e Pescas.

Alegadamente, José Manuel Fernandes tinha dito num vídeo, enviado ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que o próprio ICNF tem andado a “emitir muitos pareceres negativos” ao cumprir a lei “de uma forma demasiado rigorosa”, a travar o “progresso do país” – e que, se fosse preciso, deveria “relativizando a lei” para avançar com projectos.

As fontes foram anónimas. E o ministro rapidamente desmentiu estas declarações.

De facto, José Manuel Fernandes não conseguiu ir ao encontro dos dirigentes nacionais do ICNF. E sim, enviou um vídeo.

Este vídeo:

“Basta ver o vídeo que aqui deixo para se provar que estas afirmações são absolutamente falsas”, escreve o ministro nessa publicação.

As declarações, as alegações avançadas pelo Público, não correspondem ao que está no vídeo.

A parte em que mais se aproxima é quando diz: “Por vezes não se pode fazer porque a legislação não o permite. Mas a legislação devia permitir? Se a legislação devia permitir, o que devemos fazer é alterar essa legislação – que, às vezes, é uma simples portaria, outras vezes é um decreto de lei, mas outras vezes é uma directiva ou um regulamento que também se pode alterar”.

Na legenda, na reacção às acusações, o ministro indica que, no ICNF, há “dirigentes (poucos) mentirosos, cobardes e realmente radicais”.

“Presumo que a notícia do jornal Público seja verdadeira, o que significa que recolheram depoimentos anónimos em que alguém acreditou. Mas tal significa também que há dirigentes que mentiram. Seguramente são os mesmos (ainda que sejam muito poucos) que estão a empatar, a encravar, a adiar”.

José Manuel Fernandes sugeriu a demissão desses dirigentes: “Se tivessem vergonha, até porque mentem, demitiam-se. Pela missão que assumiram e pelo bem do ICNF digam a verdade”.

Ó PS já pediu uma audição urgentedevido a “pressão ilegítima” sobre as entidades responsáveis ​​pelas avaliações de impacte ambiental. Porque indica que o ministro quis que o ICNF “aprovasse o que a lei não concede”.

A Asssociação Ambientalista Zero ele afirmou “total repúdio” pelas declarações proferidas pelo ministro, na sua publicação no Facebook. É uma “violação direta e grosseira” do princípio da urbanidade, “dado que o uso de linguagem insultuosa é incompatível com a dignidade do cargo de ministro”. São palavras que são um “ataque inédito à dignidade das instituições de conservação da natureza”, segundo a Zero.

Nuno Teixeira da Silva, ZAP //



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