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“À moda dos mujahidin”. Exército do Canadá estuda cenário de invasão pelos EUA



Eric Perez / Exército dos EUA / Wikipedia

Sniper do 1º Batalhão da Infantaria Ligeira do Canadá, durante o exercício “Operação Guerra Civil Americana”, em 2023

As Forças Armadas canadianas estão a estudar táticas de guerrilha como as usadas pelos mujahidin afegãos. As autoridades canadianas realçam que uma invasão americana é improvável e que os cenários são “meramente conceptuais”. Se acontecer, o Canadá pedirá ajuda à França e Reino Unido.

O Exército do Canadá criou um cenário de invasão militar do Canadá pelos Estados Unidos e suas possíveis respostas, noticiou hoje o diário canadiano O Globo e o Correionuma altura em que o Presidente norte-americano, Donald Trumpfala novamente em conquistar o país.

É a primeira vez em mais de um século que o Exército do Canadá considera teoricamente a hipótese de um ataque dos EUA ao seu território, segundo o jornal canadiano, que cita dois altos responsáveis governamentais.

O The Globe and Mail não identifica os dois responsáveis, que não estavam autorizados a discutir publicamente os planos dos militares. Estes sublinharam, todavia, que não se trata de um plano operacionalmas de um modelo, utilizado para fins de reflexão estratégicaconsiderando, aliás, altamente improvável que uma tal operação seja equacionada pelo Governo de Donald Trump.

Desde que regressou à Casa Branca, em janeiro do ano passado, para iniciar o seu segundo mandato presidencial (2025-2029), Trump tem reiteradamente expressado o desejo de que o Canadá se torne o 51.º Estado norte-americano.

Na madrugada desta terça-feira, enquanto as ambições dos EUA na Gronelândia preocupavam os aliados de Washington, Trump publicou no Truth Social uma série de fotos geradas por Inteligência Artificial, mostrando-o na Sala Oval com líderes europeus, em frente a um mapa onde a bandeira norte-americana cobre não só os Estados Unidos, mas também o Canadá, Gronalanda era Venezuela.

Imagem feita por IA com Donald Trump na Sala Oval com líderes europeus, em frente a um mapa onde a bandeira norte-americana cobre não só os EUA, mas também o Canadá, a Gronelândia e a Venezuela

De acordo com os cenários considerados pelos militares canadianos, em caso de uma ofensiva vinda do sulas forças norte-americanas poderiam neutralizar posições estratégicas canadianas importantes em menos de uma semanaou até mesmo em apenas dois dias.

Nesse cenário, a resposta canadiana poderá assumir a forma de uma campanha de tipo insurgente, incluindo emboscadas e “táticas de guerrilha” comparáveis às dos usados pelos guerrilheiros mujahidin afegãos durante a invasão do Afeganistão pela União Soviética de 1979-89. Segundo o The Globe and Mail, o objetivo destas táticas seria infligir baixas em massa às forças de ocupação.

Os planos agora discutidos dão uma visão precisa do nível de avaliação de ameaça que está a ser ativamente discutido pelo Canadá em relação à administração Trump. Um alto funcionário do Departamento de Defesa afirmou entretanto que o Canadá teria no máximo três meses para se preparar para uma invasão por terra e por mar.

Os primeiros indícios de que tinham sido emitidas ordens de invasão do país pelos EUA viriam provavelmente de alertas militares dos norte-americanos a informar que a política de espaço aéreo partilhado entre os dois países já não estava em vigor, disse a fonte.

Esta rutura no acordo de defesa conjunta levaria provavelmente a que a França ou a Grã-Bretanha, países com armas nucleares, fossem chamados a prestar apoio e defesa ao Canadá contra os EUA.

Contactado pela agência de notícias francesa AFP, o Ministério da Defesa Nacional do Canadá não emitiu até agora qualquer comentário sobre a situação.

O Canadá é membro fundador da NATO  e parceiro de Washington na defesa aérea do continente norte-americano, com um comando militar conjunto, o NORAD.



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