
Paulo Novais / Lusa
Caudal Rio Mondego, 11 de fevereiro de 2026
O dique da Ponte dos Casais, no rio Mondego, rompeu, e há risco de colapso. O trânsito na A1 está cortado em ambos os sentidos entre o entre o nó de Coimbra Norte e Coimbra Sul.
UM margem direita do Rio Mondegonos Casais, Coimbra, rebentou esta à tarde, junto ao viaduto da autoestrada A1, disse à agência Lusa o presidente da Associação de Agricultores do Vale do Mondego, João Grilo.
O agricultor, que tem uma propriedade perto do local, estava a vistoriar as margens quando aquela parte do canal principal do Mondego rebentou, pelas 17:45.
De acordo com o empresário agrícola, há o perigo de haver novo rebentamento também na margem direita, junto ao Centro Hípico de Coimbra, mais a montante.
Armindo Valentetambém empresário agrícola e vice-presidente da Associação de Beneficiários da Obra Hidroagrícola do Mondego, confirmou o rebentamento do dique direito do canal principal do Mondego, e diz ter assistido à água a galgar a margem direita do rio para dentro do canal de rega adjacente.
“Eu estava lá em cima, na autoestrada, porque fui informado que a água estava a galgar de dentro do Mondego para dentro do canal de rega. Saí de lá e, nem cinco minutos depois, o dique cedeu debaixo da autoestrada”, explicou, citado pelo CM.
Segundo o agricultor, a água que está a sair do canal principal do Mondego está a inundar os campos do bloco de rega de São Martinho do Bispona margem direita, no município de Coimbra.
Fonte da Proteção Civil confirmou à Lusa que ocorreu uma rutura do dique em Casais, na margem direita do Mondego, junto da ponte da autoestrada, ao quilómetros 191.
Ó trânsito na Autoestrada A1 está cortado entre o entre o nó de Coimbra Norte e Coimbra Sul, em ambos os sentidos, devido ao rebentamento de um dique no rio Mondego, confirmou entretanto a Brisa em comunicado.
A concessionária das autoestradas detalhou que o corte da via se localiza entre os quilómetros 198 e 189“em ambos os sentidos, devido a um incidente”.
Governo compromete-se a rever obra hidrográfica
O primeiro-ministro, Luís Montenegrocomprometeu-se esta quarta-feira a rever a obra hidrográfica do Mondego, um sistema com “muitos anos” e que “precisa de ser atualizado”.
Numa visita à região de Coimbra, afetada pelas cheias, Montenegro reiterou a vontade do Governo de avançar com a construção da barragem de Girabolhos e, ao mesmo tempo, assumiu o compromisso de rever a obra hidrográfica do Mondego.
“É um sistema que tem muitos anos e que precisa de ser atualizado até ao abrigo dos desafios que agora se abrem de uma forma que não tínhamos até aqui”, afirmou o primeiro-ministro.
Segundo Luís Montenegro, o Governo irá avançar com a uma revisão da obra em função da “avaliação que é feita com este episódio que é um episódio extremo”.
“Nós temos aqui um sistema hidráulico que remonta aos anos 70que está a mostrar, apesar de tudo, resistência e resiliência, mas que está visto que não é suficiente e que, portanto, precisa de, para futuro, ter soluções de contingência”, notou.
Numa visita com membros do Governo, autarcas e Presidente da República, Luís Montenegro salientou que, para essa revisão, será necessário o “esforço das autoridades locais e da academia para se tentar ter uma solução estrutural”.
De acordo com o primeiro-ministro, o seu executivo quer dotar a obra hidrográfica de uma “maior capacidade de resistir a adversidades tão extremas” como aquelas que estão a ser vividas neste momento.
“Neste momento estamos com uma situação emergente e é essa que temos que gerir, é isso que estamos aqui a fazer”, vincou Montenegro, que realçou o trabalho de cooperação feito entre entidades e tutelas do seu executivo, para garantir que é dada resposta à situação.
