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Banqueiro português “suicidou-se” em Moçambique. À facada, nas costas



Ex-alunos do CPBS

Pedro Ferraz Correia dos Reis era administrador do banco BCI, detido pela Caixa Geral de Depósitos e BPI.

Conclusão da investigação diz que Pedro Reis se cortou em vários pontos do corpo e ingeriu veneno para ratos, num hotel. “Nunca vi, confesso que nunca vi, ou não é normal”, diz ex-inspetor da PJ.

Administrador do banco BCI (detido maioritariamente pela Caixa Geral de Depósitos e minoritariamente pelo BPI) Pedro Ferraz Correia dos Reis foi encontrado morto no hotel Polana, em Maputo, Moçambique, e rapidamente a polícia moçambicana concluiu que o caso se tratava de homicídio com arma branca. Mas um dia depois a investigação negou essa conclusão: afinal, foi suicídio.

A nova (e inesperada) conclusão veio do Sernic, o Serviço Nacional de Investigação Criminal moçambicano. Apesar de Pedro Reis ter sido encontrado com múltiplas lesões, incluindo uma facada nas costas, a entidade alega que ninguém entrou na casa de banho para além do banqueiro e que a vítima levou de casa uma faca de cozinha e ingeriu veneno para ratos.

A conclusão assenta na análise de gravações do hotel, em articulação com a Medicina Legal de Maputo e com a presença de magistrados do Ministério Público.

“Não há dúvidas nenhumasaté ao presente momento, de tratar-se de um caso de suicídio e não de homicídio como se tem propalado por aí”, afirmou o porta-voz do Sernic, Hilário Lole, em conferência de imprensa, citado pelo jornal moçambicano Diário Económico.

Mas muitos começaram a levantar dúvidas: como explicar um suicídio que envolve múltiplos cortes nas mãos, feridas no pescoço, numa coxa, no coração e nas costas?

“Nunca vi, confesso que nunca vi, ou não é normalalguém que se quer suicidar, tomar remédio para ratos e depois cortar os pulsos. Ou corta os pulsos ou toma veneno e deita-se e depois morre”, confessa, muito diretamente, ao PúblicoCarlos Anjos, antigo inspetor da Polícia Judiciária. E a facada nas costas levanta mesmo muitas dúvidas quanto à conclusão da investigação moçambicana.

Não é impossível, mas é logisticamente difícil alguém conseguir ferir-se com profundidade numa zona corporal que não vê e onde a amplitude de movimento é limitada. E porquê esse esforço, se o objetivo é apenas morrer? E porque é que o faria num quarto de hotel, com uma faca de cozinha de casa?

“A sensação que tenho, daquilo que li, é que há uma vontade muito grande das autoridades moçambicanas de ou arquivar o processo ou não ter trabalho”, opina ainda o antigo inspetor.

Entretanto, surgiu uma petição a pedir intervenção do Estado português. Até então, a embaixada de Portugal em Maputo limitou-se a lamentar a morte e a endereçar condolências, sem comentário sobre as circunstâncias.

O facto de a vítima ser uma figura importante do setor bancário levanta mais suspeitas. Em Moçambique, a maioria dos bancos apresenta níveis de crédito ruim acima do rácio recomendado pelo Banco de Moçambique (5%). O BCI, um dos quatro maiores do país e de capitais com forte participação portuguesa, terá agravado esse indicador em 2024, chegando aos 10,97%.



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