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Brasileiros descobrem jovem aranha com um assustador “colar de pérolas”



Ricardo Bassini Silva

Ácaros formam um “colar de pérolas” numa aranha da família Sparassidae

Descoberta inédita no Rio de Janeiro, território-chave do estudo de aranhas e dos seus parasitas.

Um grupo de cientistas brasileiros ficou chocado recentemente ao detetar, numa coleção zoológica, uma aranha juvenil com o que parecia ser um “colar de pérolas” à volta do seu corpo.

De acordo com o estudo dedicado ao caso, publicado em outubro na Revista Internacional de Acarologiatrata-se de um raríssimo caso de parasitismo: à volta do animal não estavam pérolas, mas sim um conjunto de ácaros parasitas, inchados após se alimentarem dos seus fluidos corporais.

A descoberta representará apenas a segunda vez que ácaros parasitas de aranhas são documentados no Brasil. É também o primeiro registo, no país, desta família específica de ácaros, até agora desconhecida na fauna brasileira.

O curioso caso foi detetado durante a observação de uma pequena aranha juvenil, já morta há muito tempo. Quando o investigador Ricardo Bassini Silvado Instituto Butantan, reparou nas larvas agrupadas junto ao pedicelo — a articulação entre o abdómen e o cefalotórax — soube que estava perante algo especial.

Esta zona tem menor espessura de quitina, o que facilita a perfuração pelos parasitas e a sucção de fluidos, tornando-a um ponto vulnerável para a infestação, adianta o CiênciaDaily.

Os ácaros foram encontrados em juvenis de três famílias de aranhas, todos com apenas alguns milímetros de comprimento. Os próprios ácaros eram ainda mais pequenos e, até ao momento, só foram observados na fase larvar. Em várias espécies de ácaros, esta etapa é parasitária: as larvas alimentam-se do hospedeiro por um período limitado, destacam-se e passam a viver de forma independente quando atingem a fase adulta.

As aranhas analisadas tinham sido recolhidas nas imediações de grutas no estado do Rio de Janeironuma área próxima de onde tinha sido registado, anos antes, o primeiro caso brasileiro de ácaros parasitas de aranhas.

Os autores do estudo sublinham que o Brasil, com mais de 3.000 espécies de aranhas descritas nas suas florestas tropicais, continua a ser um território-chave para a catalogação de biodiversidade — não só dos predadores, como se verifica agora, mas também dos parasitas especializados que dependem deles.



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