
Miguel Pereira da Silva / LUSA
O candidato à Presidência da República, João Cotrim Figueiredo
Não vota em Ventura, mas também não vota em branco. Seguro “quer Portugal parado” e Cotrim, entre ele e um Ventura “a andar para trás”, prefere “estar parado”.
João Cotrim de Figueiredo afirmou esta terça-feira que não votará em branco na segunda volta das presidenciais, apesar de ter voltado a considerar que o cenário saído da primeira volta é “péssimo para os portugueses”.
Em entrevista à CNN Portugal, o antigo líder da Iniciativa Liberal admitiu compreender quem escolha o voto em branco, mas afastou essa opção para si. Na segunda volta só há dois candidatos: Cotrim não disse se vai votar em António José Seguro, mas na passada sexta-feira já tinha garantido que não votaria em André Ventura.
“Um dos candidatos quer Portugal a andar para trás e o outro quer Portugal parado. A escolha que saiu desta primeira volta é uma escolha péssima para os portugueses”, afirmou Cotrim, que foi terceiro, com 16%, na primeira volta. E entre as duas opções, prefere “estar parado”.
O antigo candidato presidencial e eurodeputado criticou também a forma como, diz, André Ventura tem sido colocado num isolamento político. Considerou “um erro brutal” o cordão sanitário em torno do líder do Chega e argumentou que o que descreveu como um “desfile de apoios” a um único candidato acaba por favorecer Ventura, ao reforçar a ideia de que é “o único candidato de um determinado campo”.
Cotrim de Figueiredo apontou ainda um clima de pressão sobre as escolhas eleitorais, falando numa “inquisição” e numa “censura” em torno do debate público. O candidato defendeu ainda que qualquer decisão nas urnas é “democrática” e insistiu que compreende a dificuldade do momento, admitindo “desmotivação total” na segunda volta e reiterando empatia por quem opte por não participar ou por votar em branco.
O debate entre os dois finalistas está marcado para esta terça-feira, pelas 20h30, e vai ser transmitido na RTP, SIC e TVI.
