
Uma expedição ao largo da costa de Massachusetts confirmou a existência de um reservatório de água doce sob o fundo do mar. Poderá ter 20.000 anos e ser suficientemente grande para abastecer Nova Iorque durante 800 anos.
Foi descoberto, à margem da Expedição 501um reservatório gigante de água doce “secreta” no fundo do mar, ao largo da Costa Leste dos EUA, que se terá formado durante a última idade do gelo, quando a região estava coberta por glaciares.
A notícia foi avançada pela Ciência Vivaque conversou com os investigadores responsáveis pela descoberta.
“Foi um grande projeto e uma espécie de sonho de uma vida inteira”, disse, à revista, Brandon Duganlíder da expedição e professor de geofísica na Colorado School of Mines, à Live Science.
No verão passado, investigadores realizaram uma expedição para dar seguimento a relatos do final da década de 1960 e do início da década de 1970 sobre a existência de água doce sob o fundo do mar ao largo da Costa Leste.
A viagem de investigação durou três meses e retirou 50.000 litros) de água de debaixo do fundo do mar em três locais ao largo das ilhas de Nantucket e Martha’s Vineyard. Os resultados ainda não estão finalizados, mas até agora parece que o reservatório poderá estender-se mais no subsolo do que os primeiros relatos sugeriam, o que significa que poderá ser ainda maior do que se pensava.
A água doce na região foi relatada pela primeira vez há 60 anos pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), durante avaliações de recursos minerais e energéticos offshore entre a Flórida e o Maine.
Em 2003, Dugan e Mark Person, professor de hidrologia no Instituto de Mineração e Tecnologia do Novo México, redescobriram estes registos e apresentaram três ideias sobre como a água doce pode acabar sob o oceano.
As três possibilidades de Dugan
Uma forma de um reservatório submarino de água doce se formar é se os níveis do mar forem muito baixos durante muito tempo e a precipitação se infiltrar no solo. Depois, quando os níveis do mar voltam a subir ao longo de centenas de milhares de anos, essa água doce fica presa no sedimento subjacente.
Uma segunda possibilidade é que montanhas altas próximas do oceano canalizem a água da chuva diretamente para o leito marinho a partir do seu ponto de elevada altitude.
Em terceiro lugar — relacionado com a primeira hipótese — um reservatório de água doce pode formar-se sob o oceano se as camadas de gelo se expandirem, fazendo baixar os níveis do mar. A água de degelo acumula-se na base das camadas de gelo porque estas roçam no substrato rochoso, produzindo calor. O enorme peso da camada de gelo empurra então essa água para o solo, aprisionando-a sob camadas de sedimentos.
Mais de duas décadas depois, os investigadores estão finalmente perto de obter uma resposta, com dados preliminares a indicarem que a maior parte da água doce veio de glaciares algures durante a última idade do gelo (há entre 2,6 milhões e 11.700 anos).
“A parte importante da expedição foi termos recolhido todas as amostras de que precisamos para responder às nossas questões principais”, enalteceu Dugan.
Os cientistas estão agora a estudar o reservatório com maior detalhe, incluindo a presença de microrganismos, elementos de terras raras, o espaço poroso e a idade dos sedimentos, o que ajudará a determinar com maior precisão quando se formou.
