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“Empilhar dietas” é a nova moda para perder peso. Pode ser (muito) prejudicial para a saúde



Há cada vez mais pessoas a combinar várias dietas sem supervisão médica. Os cientistas alertam que a prática pode criar distúrbios alimentares e levar a deficiências nutricionais.

Com a chegada do novo ano, muitas pessoas recorrem a planos alimentares restritivos na tentativa de melhorar a saúde ou perder peso. Mas um novo estudo publicado no Journal of Gastroenterology and Hepatology Openalerta que a combinação de várias dietas ao mesmo tempo, uma prática conhecida como “empilhar dietas”, pode representar sérios riscos para o bem-estar físico e mental.

A investigação, liderada por cientistas da Universidade de Tecnologia de Swinburne, defende que, embora as dietas individuais possam ser benéficas, a combinação de múltiplas abordagens alimentares pode aumentar significativamente a probabilidade de deficiências nutricionais e distúrbios alimentares.

“Individualmente, muitas dietas têm os seus méritos”, disse a Dra. Caroline Tuck, professora sénior de dietética na Swinburne e autora principal do estudo. “Mas combiná-las pode amplificar riscos como insuficiências nutricionais.”

A sobreposição de dietas ocorre geralmente quando as pessoas adotam várias restrições em simultâneo, como vegetarianismo, dieta sem glúten, dieta com baixo teor de gordura, dieta com baixo teor de FODMAP, sem orientação profissional ou uma clara necessidade médica. Segundo os investigadores, esta abordagem é particularmente comum entre as pessoas que lidam com doenças gastrointestinais, mas é cada vez mais observada na população em geral, influenciada pela cultura da dieta e pelas tendências das redes sociais.

O estudo sublinha que algumas condições médicas, incluindo a doença inflamatória intestinal (DII) e a doença celíaca, podem exigir intervenções dietéticas específicas. Nestes casos, e sob supervisão clínica, seguir um ou até mesmo vários planos alimentares pode ser apropriado. No entanto, os investigadores sublinham que a restrição alimentar sem supervisão pode piorar os sintomas e reduzir a qualidade geral da dieta.

As pessoas com distúrbios gastrointestinais já apresentam um maior risco de deficiências nutricionais. A DII pode aumentar as necessidades energéticas e proteicas do organismo, enquanto a doença celíaca afeta a absorção de nutrientes. Adicionar restrições desnecessárias pode intensificar os desafios nutricionais existentes, podendo levar à fadiga, enfraquecimento da imunidade e problemas de saúde mental.

A longo prazo, alerta o estudo, a restrição alimentar excessiva pode contribuir para problemas de saúde crónicos, como doenças cardíacas, diabetes tipo 2, osteoporose e obesidade. Pode também aumentar o risco de distúrbios alimentares, incluindo anorexia e ortorexia, frisa o IFL Ciência.

“A sobreposição de dietas, especialmente quando autoimposta e não realizada em colaboração com um nutricionista, representa provavelmente um fator de risco significativo para o desenvolvimento de perturbações alimentares”, escrevem os autores, que recomendam o rastreio de rotina para distúrbios alimentares em pessoas que adotam múltiplas dietas restritivas.



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