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EUA atacaram a Venezuela – e Putin deveria estar “muito, muito preocupado” agora



Gavriil Grigorov/Sputnik/Kremlin/EPA

Vladimir Putin e Donald Trump

Podia parecer um primeiro momento de grande domínio de EUA, China e Rússia – mas Putin quer guerra, não dinheiro.

O Presidente russo, Vladímir Putin, poderá ter razões para se perturbar com a forma como Donald Trump lida com regimes autoritários.

Esse é uma análise que surge no O Globalistadevido ao caso da Venezuela e ao impacto indireto para Moscovo.

A retirada de Nicolás Maduro por Washington — ainda que enquadrada como um reposicionamento estratégico — funciona como aviso para o Kremlin: os autocratas podem tornar-se dispensáveis ​​quando passam a atrapalhar acordos econômico e geopolítico.

Uma abordagem transacional à política externa, com ênfase em entendimentos entre grandes potências, poderia, à primeira vista, beneficiar Putin — ao sugerir tolerância internacional para uma esfera de influência russa no espaço pós-soviético.

No entanto este ataque foi uma má notícia para o próprio líder russo – que deveria estar “muito, muito preocupado”.

Primeiro motivo: preço do petróleo. A descida pressiona o orçamento do Estado russo e limita a margem financeira da guerra na Ucrânia. Donald Trump, presidente dos EUA, terá incentivos internos para favorecer um excedente de oferta e preços mais baixos, procurando reduzir a inflação nos EUA, ainda que isso desagradasse aliados produtores.

Trump quer dinheiro, Putin quer guerra

Mas o risco principal não é económico: Trump estará pouco interessado em promover democracia e estaria disposto a conviver com elites autoritárias – desde que estas aceitem uma relação de “partilha de rendas” e abertura a negócios.

É aqui que o líder da Casa Branca entra em colisão com o líder do Kremlin: Trump quer dinheiro, Putin quer guerra.

O Presidente russo já é extremamente rico; estará hoje menos focado em ganhos comerciais e mais consumido por uma lógica de guerra, com discurso centrado em avanços militares, ameaças a países da NATO e novos sistemas de armamento. Aliás, nota-se o seu entusiasmo ao falar da guerra.

E e elites russas — definidas como kleptocráticas e pouco ideológicas — priorizam dinheiro e estabilidade, e desejariam o fim das hostilidades, mesmo que publicamente apoiem o esforço de guerra.

Ó fosso entre Vladimir Putin e essas elites estará cada vez mais visível.

UM corrupção será um pilar do sistema russo: da pequena extorsão ao enriquecimento em grande escala, com mecanismos de lealdade baseados em cumplicidade e distribuição de benefícios. Muito dinheiro terá sido desviado e transferido para o estrangeiro, sob a forma de património e investimentos em destinos como Londres, Miami ou a Riviera Francesa.

Parte dos fracassos iniciais da campanha russa na Ucrânia estará relacionado com isto mesmo: verbas destinadas a influenciar autoridades ucranianas e a montar redes internas teriam sido apropriadas; e investimentos militares significativos teriam resultado, em parte, em projetos de fachada e enriquecimento de altos responsáveis.

Outro problema: Donald Trump estará a ficar com cada vez menos paciência em relação a Vladimir Putindevido ao prolongamento da guerra na Ucrânia, e quer tarifas de 500% sobre a Rússia, indica o Handelsblatt.

Com as sanções ocidentais a dificultarem o acesso a bens e estilos de vida no exterior, muitos oligarcas russos estarão a tentar “normalizar” fortunas e regressar à respeitabilidade internacional. Ou seja, Trump é uma oportunidade — mas Putin, ao recusar um acordo e insistir na guerra, é o obstáculo.



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