
Filipe Amorim / LUSA
O candidato à Presidência da República, João Cotrim Figueiredo
Inês Bichão afirma que a divulgação da publicação no Instagram onde faz a denúncia foi feita sem o seu conhecimento e que a veracidade das queixas será averiguada em tribunal.
A ex-assessora do grupo parlamentar da IL disse hoje que a publicação sobre um alegado assédio sexual visando Cotrim Figueiredo foi difundida sem o seu consentimentoacrescentando que “a veracidade dos factos” envolvendo o candidato presidencial será apurada nos tribunais.
Em comunicado enviado hoje à agência Lusa, Inês Bichão refere que, na segunda-feira, 12 de janeiro, “foi ilicitamente difundido” e sem o seu consentimento, “conteúdo de natureza privada, originalmente partilhado em contexto restrito e não público”, na rede social Instagram.
“Essa divulgação está a ser instrumentalizada em contexto de campanha eleitoral, contra a minha vontade, no âmbito da qual não tive nem tenho qualquer intervenção. Os factos em causa foram reportados em sede interna no decurso de 2023”, sublinha a advogada e consultora jurídica.
A antiga assessora do grupo parlamentar da Iniciativa Liberal (IL) acrescenta que “a divulgação indevida de conteúdos privados, a exposição não consentida” do seu nome e da sua imagem, “bem como as ameaças e tentativas de intimidação” de que tem sido alvo, “configuram ilícitos juridicamente relevantes”.
“Não pretendo alimentar esta polémicamas não deixarei de exercer os meus direitos em sede própria, na qual a veracidade dos factos será apreciada nos quadros e com as garantias que o Estado de Direito assegura”, conclui Inês Bichão.
A advogada e consultora jurídica adianta também à Lusa que, nesta fase, este comunicado é a única posição pública que vai assumir.
O comunicado de Inês Bichão surge no mesmo dia em que se soube que a ex-assessora dos liberais já tinha contado a sua experiência com Cotrim às autoras do livro ‘Metoo, um segredo muito público’que relata vários casos de assédio sexual.
Nas redes sociais, as autoras Júlia Garraio, Maria João Faustino, Rita Santos e Sílvia Roque afirmam que a ex-assessora lhes contou o sucedido a 13 de junho de 2024. “Uma mulher jovem veio ter com uma de nós e contou como estava a passar uma fase difícil da sua vida devido às situações de assédio sexual de que era alvo por alguém muito influente na IL”, escreveram as escritoras, que também manifestaram o seu apoio com Inês Bichão.
As escritoras dizem ainda que o relato era anónimo e que só souberam da identidade da queixosa “quando a sua fotografia surgiu na comunicação social” e que a sua denúncia anterior prova que o caso não foi uma invenção de agora para minar a campanha de Cotrim. “A acusação de assédio que foi noticiada não é uma efabulação de pré-campanha. Há, pelo menos, quase dois anos que ela foi feita a uma de nós em tom de confidência”, referem.
“Podemos mudar de assunto?”
Em reação ao comunicado de Inês Bichão, Cotrim continua a afirmar que não tinha conhecimento da queixa interna feita em 2023 e garante que a assessora nunca lhe tinha dito que se sentia desconfortável. “Sobre esse tema, tudo será apurado em tribunal. Não tenho nada a esconder e falarei com todo o gosto. Quero concentrar-me na campanha, que é muito mais importante para mim”, respondeu ainda aos jornalistas esta manhã em Gondomar.
“Defender a minha reputação é importante para mim, mas também tenho a obrigação de defender esta campanha. Podemos mudar de assunto?“, disse ainda com irritação, que voltou a afirmar que a divulgação desta queixa teve objetivos políticos porque o desvia da sua campanha que é, na sua opinião, “provavelmente o propósito de quem pôs isto a circular”.
“Eu não estou a dizer que foi a pessoa em si, alguém fez isto e está a conseguir. Vocês estão a ser completamente instrumentalizados para usar este caso para dinamitar a minha campanha nos últimos dois dias. Não faz sentido“, respondeu.
O candidato presidencial já tinha dito ser “absolutamente e completamente falsa” a denúncia de assédio sexual por parte da ex-assessora do grupo parlamentar da Iniciativa Liberal (IL).
“Houve conhecimento dessa denúncia de ontem [domingo] e é absolutamente e completamente falso o que essa senhora [ex-assessora da IL] pôs a circular e vai ser, obviamente, objeto de um processo de difamação”, afirmou Cotrim Figueiredo aos jornalistas, na segunda-feira.
