
TIAGO PETINGA/LUSA
O candidato à Presidência da República, Henrique Gouveia e Melo
Gouveia e Melo afirmou que o Governo, através da AD, foi a eleições e nada disse sobre reformas estruturais. O candidato presidencial acusou também “a casta política” de cinismo, responsabilizando-a pelo crescimento do populismo.
O ex-chefe do Estado-Maior da Armada fez parte de uma conversa para um podcast de um grupo de estudantes da Universidade de Coimbra, gravada no histórico café de Santa Cruz, esta segunda-feira.
A conversa teve como tema central as condições de vida dos estudantes e a perda de talentos jovens portugueses para o exterior, algo que o almirante considerou urgente resolver para travar essa emigração, sobretudo num quadro global de elevada competição pela atração de quadros superiores.
Gouveia e Melo criticou o “sistema antigo” político que se revela sem capacidade para fazer a renovação que o país precisa e que, em contrapartida, se refugia na retórica”.
Mas foi mais longe. Considerou que o Governo “foi a eleições e nada disse sobre reformas estruturais. Sobre o seu projeto eleitoral disse zero”.
Perante os jovens, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada também procurou garantir que sempre teve pensamento político. Porém, alegou, não o manifestou devido à sua condição de militar no ativo.
“O meu pensamento é comum desde uma faixa do PS até ao CDS”, declarou.
Gouveia e Melo ataca políticos
Mais tarde, no jantar comício da sua candidatura em Alcobaça, após discursos do ex-presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santose do antigo ministro social-democrata Ângelo CorreiaGouveia e Melo atacou a “a casta política”, responsabilizando-a pelo crescimento do populismo.
“O imobilismo dos últimos 20 anos, associado à retórica cínica e ao cinismo de que nós estamos a ver nestas próprias eleições presidenciais, pode criar um populismo forte. Um populismo que pode vencer a democracia se todos nós não tivermos cuidado”, advertiu o almirante no seu discurso, já depois de ter feito as suas habituais críticas ao atual sistema partidário.
Na sua intervenção, com mais de 30 minutos, insurgiu-se contra políticos que se terão manifestado contra a sua candidatura, por ser militar.
“Os tais da casta política, que acham que são uma oligarquia, que são os donos do sistema”, especificou, antes de deixar um conjunto de perguntas: “Quando dizem que os independentes devem entrar para renovar a política estão a falar a sério ou a brincar?”
“Quais as qualidades militares que os senhores da política achavam que punham em perigo a democracia, o sentido de lealdade à pátria, o juramento de defender a pátria com a nossa vida, defender a Constituição e olhar os portugueses como um todo e não por partes? Qual destas coisas vos impressionam e vos deixam com sabor azedo?”, perguntou o almirante, arrancando uma prolongada salva de palmas.
Mais críticas ao Governo
Gouveia e Melo abordou também a crise no Serviço Nacional de Saúde (SNS), ponto em que voltou a deixar avisos sobre a sua atitude caso seja eleito Presidente da República.
“Vou dizer todos os dias ao governo, por favor, não voltem a anunciar no momento de falha do SNS que vão comprar ambulâncias. Não façam isso, porque isso é cinismo – e é isso que cria populismos depois a seguir”ele avisou.
A seguir, afirmou nada ter contra este Governo PSD/CDS, nem contra os governos anteriores.
“A única coisa que tenho é contra este tipo de práticas. E podem ter a certeza que, se me escolherem, terei o meu dedo sempre na ferida e nunca a deixarei gangrenar”, disse, elevando o tom da sua voz.
