
Jorge Zapata/EPA
Linha aérea sobre os vagões danificados de um dos comboios envolvidos na colisão entre dois comboios de alta velocidade ocorrida a 18 de janeiro de 2026, em Adamuz, Córdoba, Espanha.
Relatório preliminar conhecido esta sexta-feira. Rutura nos carris de linhas de comboio “é um problema recorrente” em toda a Europa, avisa ministro dos Transportes de Espanha.
O ministro dos Transportes de Espanha disse esta sexta-feira que todas as inspeções foram respeitadas na linha do acidente ferroviário de Adamuzem Córdova, e que as fissuras nos carris são habituais, mas houve “muito má sorte” neste caso.
A rutura nos carris de linhas de comboio “é um problema recorrente” em toda a Europacomo comprovam os cerca de 3.000 avisos e participações que recebe anualmente a Agência Ferroviária da União Europeia (ERA, na sigla em inglês), disse o ministro Óscar Puente, numa conferência de imprensa em Madrid.
O ministro falava horas depois de ser conhecido o relatório preliminar da comissão independente de investigação do acidente de domingo, que fez 45 mortos.
Segundo o documento, “pode colocar-se a hipótese” de que uma “fratura do carril” tenha estado na origem do descarrilamento do comboio de alta velocidade da Iryo, no qual depois chocou outra composição, também de alta velocidade.
Segundo o mesmo documento, os investigadores encontraram marcas nas rodas do comboio Iryo, o primeiro que descarrilou, compatíveis com uma deformação num carril. Por outro lado, foram também identificadas marcas com “um padrão geométrico compatível” em rodas de carruagens de comboios que tinham circulado pela mesma zona antes deste acidente.
O ministro afirmou que todas as inspeções foram respeitadas na linha onde ocorreu o acidente e que houve até mais vigilância e testes do que os mínimos exigidos.
“Não foi a manutenção, nem a obsolescência [antiguidade] nem a falta de controlos que levaram ao acidente”afirmou.
Óscar Puente reforçou que as fissuras e ruturas nos carris de linhas de comboio não ocorrem por falta de sistemas de segurança e controlo, mas às vezes “pode haver falhas”.
“Talvez a conclusão, quando isto terminar, seja que é necessário fazer outro tipo de controlos”, afirmou.
As ruturas são “um problema recorrente das redes ferroviárias” e na imensa maioria dos casos “estes eventos decorrem sem consequências”, mas no caso de Adamuz, “houve muito má sorte” e as consequências foram “extremamente graves”, acrescentou.
O ministro referia-se ao facto de um comboio de alta velocidade ter passado apenas 20 segundos depois no local onde tinha descarrilado o primeiro, chocando com três carruagens que invadiram a via de sentido contrário. Segundo as primeiras conclusões das autoridades, foi este choque que provocou a tragédia, que se saldou em 45 mortos e cerca de 150 feridos.
Óscar Puente reiterou também que quatro incidências reportadas nos últimos quatro meses nesta linha não estavam relacionadas com a infraestrutura.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, pediu ao parlamento nacional para ir a uma sessão plenária dar explicações aos deputados sobre a situação da rede ferroviário do país, segundo fontes da Moncloa, a sede do Governo. Não existe ainda uma data para essa sessão.
“Quanto às causas da rutura do carril não se descarta nenhuma hipótese”, segundo a CIAF.
