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Grande Pirâmide de Gizé é milhares de anos mais antiga do que pensávamos, diz novo estudo



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Pirâmides de Gizé, no Egipto

A partir do desgaste encontrado nos blocos de pedra, o autor de um novo estudo fez uma controversa reinterpretação cronológica da idade da Grande Pirâmide de Gizé, que refuta a teoria comummente aceite.

UM Grande Pirâmide de Gizé volta a estar no centro do debate científico, após a publicação de um estudo que questiona a sua antiguidade. O estudodisponível para consulta no Zenododefende que o monumento poderá ser milhares de anos mais antigo do que sustenta a arqueologia tradicional.

A investigação foi conduzida pelo engenheiro Alberto Doniniinvestigador da Universidade de Bolonha, e apoia-se numa análise detalhada da erosão dos blocos de pedra da Pirâmide.

A partir desse desgaste, o autor propõe uma reinterpretação cronológica que se afasta da datação clássicasituada em torno do reinado do faraó Quéops.

“Medimos a erosão superficial das pedras que tinham sido cobertas pelo revestimento e comparámo-la com a das pedras adjacentes, que permaneceram expostas aos agentes atmosféricos desde que foram assentes na altura da construção do monumento”, explica Donini no estudo.

A hipótese não é nova no imaginário popularmas o método o método usado por Donini nunca tinha sido aplicado. Ao contrário de teorias especulativas, Donini baseia a sua proposta em medições físicas e modelos estatísticoso que gerou interesse mediático, embora também uma forte resposta crítica na comunidade científica.

O estudo compara a erosão dos blocos que permaneceram protegidos pelo antigo revestimento de calcário com a daqueles expostos durante séculos aos agentes atmosféricos. Segundo Donini, “o volume de material desintegrado deve ser proporcional à duração da exposição aos processos erosivos”.

A partir desse princípio, o investigador sustenta que “comparando ambos os tipos de erosão é possível calcular uma data plausível de construção“.

Os resultados obtidos situam a origem da pirâmide num intervalo temporal extremamente amplo, com uma suposta probabilidade estatística de 68,2% de que seja muito anterior à cronologia oficialnota ou IFLS.

Segundo o modelo estatístico de Donini, a Grande Pirâmide de Gizé terá sido construída entre 8954 a.C. e 36.878 a.C., o que situa o ponto médio do intervalo em 22,916 aC. — valor muito afastado do aceite atualmente pela comunidade científica, que aponta para um intervalo entre os anos 2.580 a.C. e 2.560 a.C., ou seja, durante a IV Dinastia do Antigo Reino do Egito.

“Embora os intervalos de datas resultantes sejam amplos, as conclusões indicam uma baixa probabilidade para a datação arqueológica oficial de 2.560 aC. Por estas razões, é provável que as pirâmides de Akhet Khufu datem de aproximadamente 23.000 aC”, escreve Donini.

As conclusões contrariam décadas de estudos arqueológicos.

Numa entrevista à PBSou egiptólogo Mark Lehner recorda que as pirâmides foram datadas “pela sua posição dentro do desenvolvimento da arquitetura e da cultura material egípcia ao longo de 3.000 anos”, com base em cerâmicas e vestígios coerentes com a IV Dinastia.

Além disso, a datação por carbono-14 reforçou esse quadro temporal há mais de uma década. Na altura, o arqueólogo Thomas Higham explicou à BBC que “a análise de sementes e restos vegetais provenientes de contextos bem datados confirma as datas tradicionais”.

O estudo é aparentemente um exercício interessante em busca de um novo método de datação, mas, a menos que a revisão por pares e estudos adicionais cheguem às mesmas conclusões, refutando métodos muito mais fiáveisnão é provável que tenha sido encontrada uma nova data para a construção das pirâmides.



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