
Grupo queria uma escalada de violência nas ruas.”A anterior liderança e a atual estão presas; aguardemos a próxima, se vier a existir”, garante juiz.
Elementos do grupo ultranacionalista 1143, desmontado na passada terça-feira pela PJ, discutiram planos para sequestrar jornalistas que publicavam notícias negativas sobre o movimento e também para raptar pessoas de etnia ciganafilmando-as a serem espancadas, com o objetivo de intimidar a minoria.
A notícia é avançada pelo Jornal de Notícias este domingo, que recolheu informação da investigação que levou à megaoperação que esta semana fez 37 detidos e 15 arguidos, cinco dos quais se encontram em prisão preventiva — os restantes foram libertados com medidas de coação, incluindo proibição de contactos e apresentações periódicas. Estão em causa crimes como incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e posse de arma proibida.
O grupo, que terá também produzido vídeos e bandeiras insultuosas para a religião muçulmana — inclusive com a inscrição “Maomé era pedófilo” — procurava provocar reações e fomentar confrontos.
De acordo com escutas telefónicas analisadas pelas autoridades, os principais membros do 1143 reagiam com particular hostilidade sempre que eram publicadas notícias desfavoráveis ao movimento. Numa das conversas intercetadas, é mencionada a intenção de sequestrar jornalistas considerados “incómodos”.
Noutro telefonema citado pelo matutino, um elemento do grupo sugere o rapto de uma ou duas pessoas de etnia cigana, que seriam levadas para um local isolado e agredidas, com a agressão a ser filmada. O objetivo, segundo o teor das conversas, seria disseminar medo e intimidar a comunidade.
A investigação aponta ainda para a preparação de conteúdos e símbolos ofensivos dirigidos à religião muçulmana. A estratégia passaria por provocar reações inflamadas e, a partir daí, desencadear confrontos e retaliações: quereriam uma escalada de violência nas ruas.
A Operação Irmandade, conduzida pela Unidade Nacional de Contraterrorismo, avançou antes de qualquer plano deste género se concretizar. Na terça-feira, cerca de 300 inspetores participaram na ação que levou à detenção dos 37 suspeitos, entre os quais cinco militantes do Chega — dos quais dois ex-candidatos autárquicos — um agente policial e um militar da Força Aérea.
Segundo a investigação, o famoso ‘skinhead’ Mário Machado cuja pena foi alargada para quatro anos este sábado em tribunal, manteria a liderança do grupo a partir do Estabelecimento Prisional de Alcoentre, onde se encontra detido.
O juiz não perdoou o Grupo 1143: “A anterior liderança e a atual estão presas; aguardemos a próxima, se vier a existir”, exclamou, citado pelo DN.
