
Tiago Petinga / LUSA
André Ventura em campanha presidencial, em Braga
Ventura encontrou saudosistas em Braga. Saúde voltou a ser assunto. Catarina Martins e António Filipe cruzaram-se na rua.
André Ventura foi a Braga, nesta terça-feira, em mais uma arruada de campanha eleitoral, e no meio da chuva encontrou apoiantes que esperam pelo regresso do Estado Novo.
“Há 50 anos que eu espero por este homem! Há 50 anos! O 25 de Abril foi a pior coisa que podia acontecer em Portugal!”disse um apoiante do presidente do Chega, captado pela Antena 1.
Isto num dia em que João Cotrim de Figueiredo continuou a ser assunto, sobretudo por causa do que tinha dito na segunda-feira, precisamente, sobre Ventura: não rejeita apoiar nenhum candidato, incluindo André Ventura, que “moderou o discurso e parece diferente”.
“Eu não queria abrir a porta. Porque é que eu fiz aquelas declarações? Eu próprio gostava muito de perceber. Não consigo explicar o que é que me passou pela cabeça”, confessou o próprio Cotrim, em Viseu.
Reconhecendo que foi “um momento bastante infeliz” da sua parte, o antigo líder da Iniciativa Liberal (IL) disse que a única coisa que deveria ter dito, e que é o que realmente pensa, é que só admite um cenário de segunda volta em que esteja, todo o resto não lhe diz respeito.
Foi “falta de clareza” que associa a “um dia difícil”. “Quis mostrar claramente que não me comprometia com nenhum candidato e acabei a comprometer-me com todos. Portanto, foi isso que deu origem ao equívoco: não fui claro, assumo essa falta de clareza, não consigo explicar muito bem”, justificou o candidato apoiado pela IL.
André Ventura criticou João Cotrim de Figueiredo: “Um candidato presidencial não pode andar um dia a dizer uma coisa, no outro dia a dizer que não sabe o que é que lhe passou pela cabeça e agora diz uma coisa que não é nenhuma coisa nem outra. Eu gostava que o João Cotrim de Figueiredo parasse para pensar um bocadinho. Isto é uma eleição presidencial, não é uma eleição para o condomínio lá da casa dele”.
Catarina Martins acusou Cotrim Figueiredo de defraudar as expectativas dos eleitores que votaram antecipadamente, ao ter afirmado, na segunda-feira, que não exclui o apoio a qualquer candidato numa eventual segunda volta das eleições presidenciais.
“Pergunto-me se quem já votou, em voto antecipado, em Cotrim Figueiredo, agora pode mudar o seu voto. Porque nós temos aqui uma fraude política. São as direitas a dizer que são iguais e eu acho que há muita gente neste país que quer ter um voto contra a indecência, a selvajaria e por uma democracia forte”, afirmou a candidata presidencial.
UM denúncia de assédio sexual feita por uma antiga assessora da Iniciativa Liberal foi assunto rejeitado por quase todos os candidatos. Nenhum quer transformar essa denúncia num tema de campanha eleitoral.
O único que deixou um (breve) comentário foi Jorge Pinto: pediu que não se “confunda a presunção de inocência com a presunção de culpa de uma potencial vítima” e afirmou que a denúncia “é muito grave”. Mas concorda que é um “assunto demasiado sério” para ser “misturado com assuntos da campanha eleitoral”.
Saúde
Assunto do dia foi a Saúde, de novo. André Ventura afirmou que o primeiro-ministro é “o maior sem noção do país”depois de Luís Montenegro ter rejeitado na segunda-feira a ideia de caos na saúde.
“Eu queria perguntar ao primeiro-ministro se ele acha mesmo que isto é uma questão de percepção. Eu acho que nós temos um primeiro-ministro que tem uma enorme falta de noção do país real. É o maior sem noção do país, quando diz que não há caos na saúde”.
António José Segurono dia em que recebeu apoio de Inês de Sousa Real (PAN) e Filipe Sousa (JPP), contrariou também a ideia do primeiro-ministro de que os problemas na saúde são perceções, porque “a situação é mesmo real”, e considerou que só com o “contacto direto” os políticos percebem as dificuldades.
“Não. A situação é mesmo real. Nós temos situações que as estatísticas muitas vezes não conseguem identificar e só após um contacto direto entre quem tem responsabilidades no nosso país e as pessoas é que nos apercebemos do sofrimento, da dor, das dificuldades em que as portuguesas e os portugueses vivem, sobretudo, em situação de vulnerabilidade”, respondeu.
Luís Marques Mendes pediu ao Ministério da Saúde “maior sensibilidade” em relação “às questões menos boas que foram acontecendo” e considerou que já não se trata de política, mas de uma questão “humana e social”.
“Acho que o Ministério da Saúde faria bem em ter uma atitude de maior sensibilidade relativamente às questões menos boas que foram acontecendo na saúde. Isto já não é só uma questão política, é também uma questão humana e social. Quando morrem pessoas, não está apenas em causa a política”, afirmou.
Gouveia e Melo considera que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, já deveria ter saído: “Quando as coisas falham, porque é que nós mantemos os responsáveis? Claro que há um tempo que tem que se deixar passar, mas dois anos depois, e não se tiram conclusões? Porque há uma lógica partidária que se sobrepõe à lógica nacional”,
Encontro na manifestação
A CGTP-IN realizou uma manifestação em Lisboa. E foi o palco de um cruzamento entre dois candidatos presidenciais: António Filipe e Catarina Martins.
Num breve momento de convergência à esquerda, em que os dois se cumprimentaram, quando foi questionado sobre se esperava ver na manifestação mais candidatos para além de Catarina Martins, respondeu: “Não propriamente. Não me surpreende que não estejam, mas acho que cada candidato deve mostrar ao que vem e com quem está”.
“Eu acho que este pacote laboral, em geral, não tem ponta por onde se lhe pegue e, portanto, eu acho que o Governo o devia retirar. Se o Governo não retirar a Assembleia da República, devia rejeitar e acho que é a luta dos trabalhadores que vai ser determinante para que isso seja possível”, defendeu António Filipe.
Catarina Martins apontou: “O que o Governo está a fazer é um assalto aos direitos de quem trabalha. Estou aqui por um país em que trabalhar seja respeitado e em que os salários sejam dignos”.
“Precisamos de mais pessoas com contratos a sério, contratos efectivos e é, por isso, que é tão importante que quem se apresenta à Presidência da República diga ao que vem”, acrescentou a candidata.
Nuno Teixeira da Silva, ZAP // Lusa
