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Hyrox, nova febre do fitness, representa uma “mudança cultural”



HybridFitty/Wikimedia Commons

Lauren Weeks no Major de Estocolmo HYROX

“Mara-cations”, vício, substitutos do pub. Os custos são “astronómicos”, mas não faz mal para quem tem o físico como prioridade.

Ó Hidrox é uma febre do fitness que não dá sinais de abrandar tão cedo, com 1,3 milhões de pessoas alinhadas para competir em algum evento pelo mundo fora, este ano.

A competição, que alterna entre corrida e exercícios de condicionamento físico, tem-se revelado particularmente popular entre os millennials mais jovens e a Geração Z. O rápido crescimento da sua popularidade tem sido atribuído às redes sociais.

O Hyrox, cuja primeira competição se realizou em 2021, apresenta uma divisão por género próxima de 50% homens e 50% mulheres. A competição consiste em oito corridas de um quilómetro, intercaladas com exercícios como burpees com salto em comprimento, puxar um trenó e remo. Os participantes podem competir a solo ou em dupla, em equipas mistas ou do mesmo sexo.

Custos “astronômicos”, “mudança cultural”

Um visual cuidado costuma ser inegociável para quem compete, com muitos a optarem por marcas de fitness de alta gama ou a coordenarem os visual com os colegas de equipa.

Allana Falconer, que trabalha na área da sustentabilidade e começou a competir em 2023, diz que se “apaixonou” pelo Hyrox. Já participou em 20 competições diferentes, em seis países e 12 cidades.

“As minhas férias giram em torno do Hyrox, ou então encaixo os eventos nas viagens”, disse à BBC. A jovem de 29 anos conta que o máximo que já gastou até agora foi 2 mil libras (cerca de 2300 euros), quando viajou para Chicago, nos Estados Unidos, para o Campeonato do Mundo, no ano passado.

“Para competições fora do país, normalmente gasto cerca de 400 libras (460 euros) por viagem, para duas noites de alojamento e transporte, e 120 libras (138 euros) para a inscrição”, acrescenta. Como compete com muita frequência, diz que também precisa de muitos acessórios de treino: gasta “uma quantidade absurda de ténis”.

Evgenia Koroleva, fundadora do ginásio ONE LDN, em Londres, diz que, para quem leva as competições a sério, “os custos podem ser absolutamente astronómicos”.

“O Hyrox criou este vício nas pessoas porque elas nunca competem só uma vez. Quando terminam a primeira prova, inscrevem-se noutra e, como o percurso é o mesmo, isso cria um nível de competição consigo próprias.” O custo de participação é mais elevado do que o de uma maratona, e algumas pessoas têm criticado isso.

“Viajar para o estrangeiro, somado aos custos envolvidos para, basicamente, correr um pouco e ficar sem fôlego, é demais para mim”, disse um ex-participante no Reddit.

Fran Sirl, personal trainer e dono da Parkfit, que dá aulas de condicionamento físico ao ar livre no Richmond Park, em Londres, afirma que desportos como este podem parecer intimidantes e diz que lembra sempre os seus clientes de que não é preciso equipamento ou acessórios especiais para ficar em forma.

“Levo grupos para treinar no parque. Às vezes começamos com uma caminhada e depois acrescentamos agachamentos e flexões usando um banco. Fazer exercício não precisa de ser caro nem complicado. Trata-se de encontrar algo que o faça querer voltar e repetir, seja um treino de alta intensidade ou apenas uma caminhada.”

A maioria dos atletas com quem a BBC falou acredita que os preços do Hyrox são justos, tendo em conta os custos de alugar um espaço para um grande evento, equipamento especializado e uma equipa de árbitros. Evgenia diz que o facto de as pessoas estarem dispostas a pagar tanto dinheiro reflete uma “mudança cultural” mais ampla na forma como as pessoas nos seus 20 e 30 anos gastam dinheiro com exercício.

“O exercício é inegociável e faz parte da identidade delas”, acrescenta. Gastar dinheiro com exercício é uma prioridade para quem nasceu entre 1997 e 2012 (Geração Z), de acordo com a aplicação de exercício Strava.

Os dados indicam que um terço planeia gastar mais em atividade física este ano, e quase dois terços dizem preferir gastar dinheiro em roupa nova de treino do que num encontro romântico. As chamadas “mara-cátions” (férias orientadas para maratonas) e as férias com Hyrox tornaram-se tão populares que algumas agências de viagens já oferecem pacotes personalizados no estrangeiro para competições.

No Reino Unido, as competições de Hyrox esgotam normalmente muito depressa, o que faz com que muitas pessoas interessadas em participar acabem por viajar para outros países.

“Viciante”

Florence Kinnafick, investigadora sénior da Universidade de Loughborough, especializada em atividade física e saúde mental, afirma que a variedade de modalidades pode tornar a competição “viciante”.

“A ênfase na competição não é apelativa para toda a gente”, afirma. Mas alerta para o risco de excesso de treinocaso as pessoas fiquem “obcecadas” em melhorar os seus tempos.

Quanto aos exercícios em si, diz que, apesar de ser uma competição exigente, não há nada “particularmente técnico”, o que a torna segura para iniciantes.

“Ganhei o gosto”

Jorell Hill, que já participou em 10 competições até agora, diz que “definitivamente ganhou o gosto”.

“Fiz o meu primeiro [Hyrox] em dezembro de 2024 e, desde então, não tive uma única viagem internacional que não fosse para correr uma meia maratona, uma maratona ou um Hyrox.”

O jovem de 27 anos, que concilia os treinos com o trabalho como bombeiro, afirma que a sua vida “antes girava em torno de sair, encontrar os amigos, ir ao pub e beber bastante”, mas que agora quase todas as suas férias envolvem “retiros de fitness” e competições. Já viajou para “seis ou sete países diferentes” para competir e espera disputar provas nos Estados Unidos e em destinos ainda mais distantes este ano.

Jorell, que se mudou para Londres há pouco mais de um ano, fez a maioria dos seus amigos através do fitness. “Em vez de gastar dinheiro com roupa para sair, estou apenas a comprar novo equipamento de treino”, diz.



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