
Uma equipa de investigadores liderada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) estudou os primeiros casos confirmados em Portugal de infeção por Candida auris – um fungo resistente a medicamentos considerado uma ameaça à saúde pública global.
Um estudo levado a cabo pela FMUP, cujos resultados foram publicados recentemente no Diário de Fungospermitiu identificar os primeiros casos de Candida auris em Portugal.
“É fundamental que as instituições dedicadas ao ensino e à investigação se articulem com os hospitais e ULS [Unidades Locais de Saúde]no sentido de uma investigação translacional integrada, de modo a reforçar a capacidade de resposta a desafios emergentes em saúde pública com base em evidência”, defende, num comunicado enviado esta terça-feira à agência Lusa, Sofia Costa de Oliveiradocente da FMUP que coordenou o estudo.
O que é a Candida auris
UM Candida auris é uma levedura que pode colonizar a pele e causar infeções invasivas em doentes com fatores de risco – como doenças graves, tratamentos invasivos e uso de antibióticos e imunossupressores. Considerada uma ameaça à saúde pública global, está disseminada em vários continentesatingindo apenas cerca de 60 países.
Ó microrganismo não é transmitido pelo ar, mas sim por contacto entre doentes, entre profissionais de saúde, ou com superfícies e equipamentos contaminados.
Esta espécie distingue-se pela resistência a múltiplos fármacos antifúngicos e pela capacidade de persistir em superfícies e equipamentoso que pode facilitar a transmissão em unidades de cuidados de saúde.
Em setembro do ano passado, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) alertou para a rápida propagação nos hospitais deste fungo resistente a medicamentos e pediu medidas para travar a sua disseminação.
Em comunicado, a entidade indicou que, entre 2013 e 2023, foram registados mais de 4.000 casos nos países da UE/EEE (incluindo Islândia, Liechtenstein e Noruega), destacando “um salto significativo” em 2023, ano em que foram divulgados 1.346 casos em 18 países.
Casos na região Norte
Foram classificados oito casos identificados em 2023num hospital do Norte, no qual é salvaguardado que “nenhuma das três mortes dos casos de infeção invasiva reportados esteve exclusivamente associada à infeçãomas sim a comorbilidades severas dos doentes”.
Sublinhando que “é importante perceber que este fungo é de propagação hospitalar e não comunitária”a coordenadora refere que “a sua relevância em saúde pública está associada principalmente à facilidade de transmissão em unidades de cuidados de saúde e à resistência a alguns antifúngicos, o que justifica uma vigilância reforçada (…), de forma a tentar controlar esta ameaça global para a saúde”.
“A deteção precoce de colonização ou infeção em doentes em risco permite uma intervenção mais eficaz e limita a propagação nos serviços de saúde. As medidas de controlo de infeção, como a higiene rigorosa das mãos, a desinfeção de superfícies e equipamentos e a vigilância laboratorial, são cruciais para reduzir a transmissão”, conclui.
Como destaca a Lusa, o artigo resultou de um trabalho de investigação que também juntou Isabel Mirandada FMUP e RISE-Saúde, Dolores Pinheiro, José Artur Paiva e João Tiago Guimarãesda FMUP e da ULS São João, Micael Gonçalvesdo CESAM, e Sandra Hilárioaquela FCUP.
