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Interações de neutrinos solares com núcleos atómicos? Nunca tinha sido observado (até agora)



Universidade de Coimbra

Investigação alcançou os melhores limites de sempre na procura direta por matéria escura de baixa massa.

É visto como um marco histórico na física de partículas e algo que abre uma nova janela para o estudo do interior do Sol.

Cientistas observaram pela primeira vez, interações de neutrinos solares com núcleos atómicos. E alcançaram os melhores limites de sempre na procura direta por matéria escura de baixa massa.

Ó estudo foi realizado por uma colaboração internacional de cientistas, a LUX-ZEPLIN (LZ), que conta por exemplo com o fundador Laboratório Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Foi feita a maior análise de sempre de dados obtido por um detetor de matéria escura: 417 dias de operação efetiva, entre março de 2023 e abril de 2025.

A LZ estabeleceu os limites mais restritivos conhecidos para partículas de matéria escura do tipo WIMPs (partículas massivas de interação fraca), em particular para massas inferiores a 9 GeV/c².

Não foram observados sinais diretos destas partículas, mas os novos resultados reforçam a posição da LZ como a experiência mais sensível do mundo para WIMPs com massas acima de 5 GeV/c², descreve a Universidade de Coimbra em comunicado enviado ao ZAP.

A sensibilidade do detetor permitiu observar, pela primeira vez, interações de neutrinos solares com núcleos atómicos. Isto foi conseguido através do processo raro conhecido como espalhamento coerente elástico de neutrinos com o núcleo (CEvNS).

Neste processo, observado pela primeira vez apenas em 2017 usando um elevado fluxo de neutrinos produzidos em reatores nucleares, um neutrino interage com todo o núcleo atómico, transferindo uma quantidade ínfima de energia.

Esta foi a primeira vez que este processo foi observado em neutrinos solares com uma significância de 4,5 sigma, acima do limite de 3 sigma tradicionalmente usado para considerar uma observação como “evidência”.

As experiências PandaX-4T e XENONnT reportaram indícios deste processo no ano passado, mas com um nível de confiança inferior a 3 sigma.

Esta é a primeira “evidência” de um sinal de CEvNS de neutrinos extraterrestres.

Esta não é a primeira vez que neutrinos provenientes do Sol são detetados neste laboratório. Nos anos 60 e 70, Raymond Davis Jr. e John Bahcall mediram, pela primeira vez, o fluxo de neutrinos solares com um detetor com 380 m3 nessa mesma caverna, agora conhecida como a “caverna Davis”. Este resultado valeu a Ray Davis o prémio Nobel da física de 2002.

«A novidade não é apenas a deteção de neutrinos solares, mas o mecanismo extremamente subtil pelo qual foram observados. Estamos a falar de apenas alguns fotões e eletrões por interação, o que demonstra a extraordinária sensibilidade do detetor LZ», descreve o investigador Paulo Brás.



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