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“Isto não é a Guiné-Bissau”⁩⁩



Tiago Petinga / LUSA

O candidato à Presidência da República, André Ventura, em Ortigosa, Leiria

Candidato a presidente da República pergunta se ele próprio é ingénuo: “É só ir a Lisboa buscar telhas para Leiria”⁩.

“A dor em que estas pessoas estão… Precisam de apoio rápido, não é de apoios burocráticos. O Estado não pode dar telhas às pessoas?”.

André Ventura foi a Leiria visitar pessoas e espaços afectados pela depressão Kristin. A visita ocorreu no sábado, dia em que o presidente da Câmara Municipal de Leiria desabafou sobre um “carrossel de pessoas a vir a Leiria como se um jardim zoológico se tratasse”.

E, sem falar no nome André Ventura, Gonçalo Lopes desabafou: “Acho ridículo quando alguém quer oferecer meia dúzia de garrafas de água e que se filma para trazer, numa carrinhazinha pequenina, ajuda ao distrito e ao concelho de Leiria”.

Ventura desvalorizou. Não está a pensar em benefício político com esta visita – “Pá, que se lixem as eleições” – e porque não é altura de entrar em “picardias políticas”; é altura de ajudar as pessoas.

E, nesse sentido, sugeriu ao Estado levar telhas para Leiria. Já: “É preciso ir às fábricas? Tem que ir. Se estamos numa zona afectada onde não há telhas, nós estamos a deixar as pessoas sem telhas, em filas para comprar telhas? Isto não é a Guiné-Bissau”.

Pá, ir buscar telhas e trazê-las! Estou a ser assim tão ingénuo? Nós estamos com pessoas sem tecto e nós estamos a ver se se pode ir buscar telhas a Lisboa para trazê-las para Leiria? Tem de ser”, perguntou o candidato a presidente da República, em conversa com os jornalistas.

André Ventura também criticou as palavras da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, que falou em “aprendizagem colectiva” depois desta tempestade. Para Ventura, ouvir isto “é uma dor no coração” vinda de alguém que “não sabe o que está acontecer. As pessoas precisam de apoio rápido, de acção!”.

“Mobilizamos dinheiro para tanta coisa e não conseguimos mobilizar para os ajudar. Portugal tem momentos em que parece um país de terceiro mundo“, avisou.

Já neste domingo, em Braga, reforçou: “Ontem desafiei o Estado a fazer um transporte simples de telhas das zonas onde elas existem e são produzidas para as zonas afectadas. Resultado? Algumas pessoas estão a fazer por si próprias, estão a ficar feridas ou a morrer“.

André Ventura falava da morte de duas pessoasno sábado; ambas estavam no respectivo telhado a fazer reparações.

E repetiu que não está a pensar nas eleições: “Neste momento, a minha preocupação é que as pessoas tenham tecto, tenham comida, tenham água, tenham luz; não são os votos. Os votos ficarão para depois, agora nós temos que garantir às pessoas os bens essenciais”.

Para o presidente do Chega, Portugal “é um país ao contrário” em relação aos idosos: na altura das eleições “para saber onde é que eles vão votar, e se vão votar e levá-los na carrinha para irem votar, mas agora que não têm água, nem luz, nem conseguem falar com os filhos, nem com os netos, já ninguém quer saber deles”.

Ventura avisou que a prioridade do Governo deve ser “garantir que as comunicações vão funcionar, que os meios de Protecção Civil e militares estão alerta e estão com capacidade de reagir, e que temos os hospitais e serviços de saúde prontos para enfrentar a situação”.

Nuno Teixeira da Silva, ZAP //



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