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Com recurso à sonda Juno da NASA, os cientistas conseguiram calcular o tamanho de Júpiter com mais precisão. O seu raio polar é cerca de 12 quilómetros mais pequeno do que se pensava.
Júpiter, o maior planeta do sistema solar, é ligeiramente mais pequeno e mais achatado do que os cientistas acreditavam, de acordo com um novo estudo publicado na Nature Astronomy.
Utilizando dados de rádio recolhidos pela sonda Juno da NASA, os investigadores conseguiram calcular as dimensões de Júpiter com uma precisão sem precedentes. Embora as diferenças em relação às estimativas anteriores sejam pequenas e apenas alguns quilómetros, têm implicações importantes para a compreensão do interior do planeta e para o aperfeiçoamento dos modelos de gigantes gasosos dentro e fora do sistema solar.
“Os manuais terão de ser atualizados”, disse o co-autor do estudo, Yohai Kaspicientista planetário do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel. “O tamanho de Júpiter não mudou, claro, mas a forma como o medimos, sim.”
Durante quase 50 anos, os cientistas basearam-se em medições feitas durante os sobrevoos pelas missões Pioneer 10 e 11 e Voyager 1 e 2 da NASA. Estas naves espaciais usaram sinais de rádio para estimar o tamanho de Júpiter, e os seus resultados tornaram-se o padrão aceite. No entanto, a missão Juno, que orbita Júpiter desde 2016, recolheu um volume muito maior de dados de rádioo que permitiu aos investigadores melhorar drasticamente a precisão.
A equipa refinou as dimensões de Júpiter com uma margem de erro de cerca de 400 metros em cada direção. A sua análise mostra que o raio polar do planeta é de 66.842 quilómetros, cerca de 12 quilómetros mais pequeno do que o estimado anteriormente. O raio equatorial de Júpiter foi determinado como sendo de 71 488 quilómetros, aproximadamente 4 quilómetros mais pequeno do que as medições anteriores, refere o Ciência Viva.
Para chegar a estes resultados, os cientistas rastrearam como os sinais de rádio transmitidos da Juno para a Terra se curvavam ao passar pela densa atmosfera de Júpiter, antes de desaparecerem quando o planeta os bloqueava completamente. Esta técnica permitiu aos investigadores ter em conta os poderosos ventos atmosféricos que distorcem subtilmente a forma de Júpiter.
“Estes poucos quilómetros fazem a diferença”, disse o co-autor do estudo, Eli Galantitambém do Instituto Weizmann de Ciências. Pequenos ajustes no raio do planeta ajudam os cientistas a conciliar os dados de gravidade com as observações atmosféricas, produzindo modelos mais precisos da estrutura interna de Júpiter.
Espera-se que as medições atualizadas melhorem a compreensão dos cientistas sobre como Júpiter se formou e evoluiu, além de auxiliarem na interpretação de observações de gigantes gasosos distantes a orbitar outras estrelas.
