
Kanzi, quando tinha 43 anos
Kanzi, um bonobo com competências linguísticas excecionais, criou na sua imaginação uma festa de chá, demonstrando capacidades cognitivas nunca antes observadas em primatas não humanos.
Um bonobo que participou numa festa de chá, como as que são encenadas por crianças, demonstrou que os nossos parentes primatas mais próximos também têm capacidade brincar ao ‘ao faz de conta’.
Trabalharou bonobo (Pan panisco), nasceu nos EUA em 1980 e morreu aos 44 anos em Março do ano passado.
Passou a maior parte da sua vida no Ape Initiative, em Des Moines, no Iowa (EUA), onde era conhecido pela sua capacidade de comunicar apontando para símbolos num quadro.
No ano anterior à sua morte, um grupo de investigadores da Universidade de St Andrews, no Reino Unido, fez experiências com o objetivo de compreender se, para além das suas competências linguísticas superiores, Kanzi também era capaz de se envolver no que os investigadores descrevem como “representações secundárias”.
Como escreve a Novo Cientistaas representações secundárias tratam-se da capacidade de imaginar uma realidade alternativa e, em algumas situações, partilhar essa simulação com outro indivíduo — uma competência que os humanos desenvolvem numa idade precoce.
Entre os 2 e os 3 anos, as crianças conseguem seguir o movimento de um líquido imaginário entre recipientes e manter o controlo de onde o “chá” está ou não está. Foi esse tipo de contexto que a equipa apresentou a Kanzi, para testar a capacidade num animal não humano.
Os resultados surpreendentes da experiência foram revelados, esta quinta-feira, num estudo publicado já Ciência.
Na primeira fase da experiência, os investigadores fingiram verter sumo inexistente em duas chávenas vazias, antes de fingirem esvaziar uma das chávenas e depois perguntarem a Kanzi qual queria. Em mais de dois terços das vezes, Kanzi escolheu a chávena que não tinha sido esvaziada e que ainda continha o sumo fingido.
“Se Kanzi não tivesse concebido ‘sumo imaginário’ nas chávenas ao longo do estudo, deveria ter escolhido entre as duas chávenas ao acaso — afinal, ambas estavam vazias”, disse a líder da investigação, Amélia Bastosna New Scientist.
Depois, os investigadores colocaram uma chávena vazia e outra contendo sumo sobre uma mesa em frente a Kanzi. Ele escolheu a chávena com sumo em mais de três quartos das vezes. Este teste serviu para garantir que o bonobo conseguia distinguir entre sumo real e sumo falso.
No terceiro teste, a equipa começou por colocar uma uva real numa de duas chávenas; Kanzi escolheu sempre a uva real. Depois, uma uva ao faz de conta foi colocada em cada uma de duas chávenas, antes de uma ser esvaziada. Mais uma vez, em mais de dois terços das tentativas, Kanzi escolheu corretamente a chávena que ainda continha uma uva fingida.
