
ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
O candidato à Presidência da República, Manuel João Vieira
Manuel João Vieira acredita que a sua eleição como Presidente da República seria um “limpar de olhos para a política nacional”, que se “apalhaçou” e não tem “homens com a craveira que havia antigamente”.
A seu favor na corrida a Belém, Manuel João Vieira afirma ter a inexperiência política: “Acho que seria ainda melhor se fosse Presidente da República, porque ver as coisas com olhos novos de quem nunca esteve sequer numa juventude partidária, acho que é capaz de ser um limpar de olhos para a política nacional”, acrescentou.
Para o candidato presidencial, “a política apalhaçou-se completamente e tornou-se mais absurda”existindo “realmente figuras obscuras atrás das movimentações políticas”.
“Tudo aquilo que era racional, aquilo que estava implícito nos acordos da ONU, no que era um Estado de Direito, transformou-se num ‘não há direito’”, afirmou, aludindo à situação internacional e ao “advento de São Donald Trump”.
Com uma campanha caracterizada pela ironia e o humoro músico de 63 anos admite tentar utilizar “uma linguagem diferente, uma linguagem que ultrapassa as outras linguagens no sentido metafórico, alegórico e, às vezes, mesmo no sentido direto”, para tentar passar uma mensagem de que Portugal não é “um país de pobrezinhos, condenado a fazer sempre a mesma coisa”.
“Nós estamos dentro de uma estrada e essa estrada está a ser, neste momento, quebrada no plano do direito internacional, está a ser quebrada no plano da saúde, está a ser quebrada no contrato social, e o que nós temos é um lameiro profundo, onde nem os bois conseguem pastar”, alertou.
Assim, “neste Ferrari da política e da candidatura Vieira”, o músico quer “retroceder um pouco, apanhar as coisas boas que Portugal” tem e teve ainda melhores no passado e “ir por essa rampa e ir ter ao outro lado”.
“Nós queremos ir ter ao outro lado, queremos ultrapassar isto e queremos ultrapassar isto com a ciência e a tecnologia, mas também com o amor àquilo que é ser português e àquilo que é tipicamente português”, assumiu.
Pôr na Constituição o direito à felicidade
Lembrando que o que é simbólico e metafórico é “muito forte”, o candidato reiterou a intenção de pôr na Constituição o direito dos portugueses à felicidademas também à paisagem, “que é uma coisa que também está a ser destruída neste momento”, e ainda de oferecer uma “mãe profissional”, prometendo também “rever o contrato que não existe com as profissionais da noite e que deviam estar sindicalizadas e dentro de um quadro público, inclusive em termos de apoio de saúde”.
“O que se passa aqui na política portuguesa é sempre mais do mesmo, de facto. São pessoas que […] têm pequeníssimas diferenças no plano da ação social. Mesmo assim as pequenas diferenças devem ser valorizadas, claro. Mas é sempre a mesma coisa desde o 25 de Abril. E, de facto, não temos homens com a craveira que havia antigamente”, salientou.
