
MIGUEL A. LOPES/LUSA
Marcelo Rebelo de Sousa acompanhado pelo presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Miguel Albuquerque (D), e pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha (2E) no posto de comando da proteção civil em Ourém
O Presidente da República considerou que a explicação, do Governo, às populações, sobre o impacto da depressão Kristin, “não correu bem”. Marcelo Rebelo de Sousa questionou primeiro-ministro sobre as razões para não ativar Mecanismo Europeu de Proteção Civil e logo obteve resposta.
Marcelo Rebelo de Sousa criticou a forma como o Governo comunicou com pessoas que foram vítimas da tempestade Kristin, afirmando repetidamente que “não correu bem, não correu bem, não correu bem”.
“Não é por eu dizer que o Governo esteve melhor ou pior. Há coisas em que se esteve melhor e coisas em que se esteve pior. A explicação às pessoas, em muitos casos, não correu bem, não correu bem, não correu bem”, afirmou o Chefe de Estado, numa visita ao município de Ourém, no distrito de Santarém, uma das zonas afetadas pela depressão.
Questionado sobre as declarações da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaralque disse desconhecer o que falhou na resposta à depressão Kristin, o Presidente da República recusou fazer comentários concretos, indicando que “já aconteceu em muitos casos que a clareza, a falta de clareza custou muito a determinados Governos”.
O chefe de Estado falava aos jornalistas, na noite desta terça-feira, no âmbito de uma visita ao município de Ourém, no distrito de Santarém, uma das zonas afetadas pela depressão Kristin.
Já sobre as medidas de apoio anunciadas pelo Governo para as zonas afetadas pela tempestade, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu o Executivorecusando que tenham sido apresentadas tardiamente, referindo que era preciso ter a noção exata da dimensão do que tinha acontecido.
“As medidas foram adequadas. Lembro-me de outras calamidades menos graves, em que medidas com dimensão inferior a isto demoraram mais tempo a ser tomadas”, referiu, sublinhando que a preocupação agora é que as medidas sejam todas aplicadas “e bem aplicadas”, passando-as do papel para a prática.
Assim, o Presidente da República desejou que “os milhares” de pessoas que precisam da disponibilização de apoio monetário para poderem refazer a sua vida normal “recebam o dinheiro nos próximos dias”considerando que “o ideal era que a resposta fosse imediata”.
O chefe de Estado rejeitou equiparar esta calamidade aos incêndios de 2017em que exigiu a demissão da então ministra socialista Constança Urbano de Sousarealçando que em 2017 “houve dois incêndios monumentais e houve mais de 100 pessoas mortas”.
A grande questão de Marcelo
O Presidente da República perguntou a Luís Montenegro o porquê de não se ativar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil face à depressão Kristin.
UM justificação foi de que “não era um contributo que fazia a diferença”.
“Pronto. Eu aí aceitei. Até prova em contrárioeu parto do princípio de que quem exerce o poder executivo ponderou isso, porque tinha sido ponderado e tinha-se entendido que não justificava”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa.
O Chefe de Estado disse ainda que o primeiro-ministro lhe respondeu que o Mecanismo Europeu de Proteção Civil não podia ajudar a resolver o problema das operadoras de telecomunicações e da reconstituição da rede elétricaque afetam a região Centro.
Marcelo critica infraestruturas
Marcelo Rebelo de Sousa criticou a existência de postes de eletricidade “do tempo da Maria Cachucha”, inclusive com mais de 50 anose defendeu que o país não pode ter redes elétricas assim.
“Mas, mesmo assim, não podemos ter tanto tempo [para] a reposição da normalidade da telecomunicação”, expôs, referindo-se às mais de 100 mil pessoas que continuam sem eletricidade devido à tempestade Kristin.
A este propósito, o chefe de Estado voltou a defender uma comissão técnica independente de avaliação da resposta à depressão Kristin, adiantando que o relatório produzido poderá chegar à conclusão que a Proteção Civil precisa de mais recursos humanos e de mais recursos dispersos pelo território para enfrentar situações de calamidade.
O Presidente da República considerou ainda “muito importante” acompanhar o que o Governo está a fazer junto das instituições europeias, defendendo que “o que já estava a fazer de revisão do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]agora tem que ser virado para esta calamidade”.
“Estava a ser revisto em termos de prazos de execução, agora é rever em termos… E as instituições europeias são as primeiras a aceitar, porque o PRR nasceu precisamente de uma calamidade, foi a covid-19, portanto, se surge a nível de um país uma situação de calamidade que justifica haver uma reafetação de projetos, de meios e uma revisão de prazos, tem de ser”, declarou, destacando também a importância dos fundos europeus de coesão para a reconstrução na área afetada.
