
Juan Ignacio Roncoroni/EPA
Javier Milei, presidente da Argentina
A presidência argentina inaugurou, esta quinta-feira, um “Gabinete de resposta oficial”, com o objetivo, segundo o presidente Javier Milei, de “desmascarar as mentiras e manobras dos meios de comunicação” sobre a ação governamental.
Os jornalistas estão preocupadosna Argentina, depois de a Presidência criar um órgão para desmentir as “mentiras” da imprensa.
Na sua primeira mensagem na rede social X, este órgão explica ter sido criado “para desmentir ativamente as mentiras, apontar falsidades concretas e destacar as manobras dos média e da casta política“.
“Limitar-se a ‘informar’ não é suficiente se a desinformação avança sem resposta”, acrescenta a mensagem. “Além de informar, é preciso desmentir de forma clara e direta”, adianta.
Ó presidente “ultraliberal” Javier Milei colocou o anúncio inaugural na sua própria conta no X, acrescentando um comentário: “Para desmascarar as mentiras e manobras dos meios de comunicação social”.
Nem a conta do “Gabinete” nem qualquer comentário oficial que acompanhe o seu lançamento especificam como funcionará ou quem administrará a conta, distinta da conta oficial da presidência argentina.
A iniciativa surge na sequência das relações conflituosas de Javier Milei com a imprensaque o chefe de Estado argentino regularmente denegriu, e até insultou, atacando jornalistas nominalmente, durante o seu primeiro ano e meio de mandato, antes de uma relativa acalmia, desde meados de 2025.
Ó jornal Clarin (conservador), alvo regular de Mileifoi o primeiro a ser atingido pelo “Gabinete de resposta oficial”, sendo acusado de uma “manobra grosseira” ao ter publicado um artigo sobre supostos “atrasos” no programa governamental de assistência social e emprego.
A influente associação de meios de comunicação argentinos Adepa expressou num comunicado a sua “preocupação” com esta conta, que “parte do pressuposto de que alguém mente” e recordou que, numa democracia, “o Estado é mais uma fonte de informação, não o árbitro da verdade pública”.
Este tipo de organismo estatal “corre o risco de se transformar num mecanismo de vigilância, estigmatização ou repressão indireta do jornalismo e das opiniões críticas”, sublinha a Adepa.
A iniciativa lembra o site “Media Bias”, lançado no final de 2025 nos EUA, que se apresenta como “um recenseamento de informações falsas e enganosas dos meios de comunicação, sinalizadas pela Casa Branca”, cujo inquilino, o presidente dos EUA, Donald Trump, é um aliado próximo de Javier Milei.
