
Luís Norberto Lourenço / X
Barragem do Fratel, rio Tejo
Sado, Tejo e Mondego no topo das preocupações – mas não são os únicos na lista. Também há especial preocupação com o rio Douro.
A ministra do Ambiente e Energia alertou nesta sexta-feira para o Momento “particularmente crítico” que o país vive, destacando que a tempestade Marta atingirá especialmente as bacias dos rios Sado, Tejo e Mondego.
Maria da Graça Carvalho falava aos jornalistas após uma reunião na Agência Portuguesa do Ambiente (APA), na Amadora, Lisboa, para um balanço da situação das cheias em Portugal.
A próxima depressão, que chega esta noite, vai entrar em Portugal numa região entre Sines e Lisboa e vai afetar especialmente a bacia do Sadoonde especialmente Alcácer do Sal está a sofrer inundações, disse a ministra, explicando que a depressão atingirá depois a zona do rio Tejo, também em situação de cheias, e ainda outro rio igualmente preocupante, o Mondego.
Dezembro e janeiro foram meses muito chuvosos, mas a APA fez preventivamente descargas nas barragens para encaixar essa água, o equivalente ao consumo dos portugueses durante um ano (mais de 700 hectómetros cúbicos descarregados em janeiro), e só assim foi possível conter “grandes cheias”.
No balanço aos jornalistas a ministra disse que na quinta-feira foi um dia preocupante no rio Tejo, devido a descargas nas barragens de Espanha, nomeadamente na grande barragem espanhola de Alcântara, que levou a que o caudal quase duplicasse.
Hoje, já está mais reduzido (esta tarde o caudal era de 6.700 metros cúbicos por segundo em Almourol, quando ponto crítico é 10.000). Na quinta-feira chegou aos 9.000 metros cúbicos.
Maria da Graça Carvalho afirmou que tudo está a ser feito para que o impacto da depressão Marta seja o menor possível, mas admitiu que pode ser preciso evacuar mais locais.
O presidente da APA, Pimenta Machado, falou também do “tempo excecional” que o país vive e deu como exemplo barragens do Algarve que nunca enchiam e que agora estão a fazer descargas; e disse que a barragem de Santa Clara, no sudoeste alentejano, vai também fazer descargas. Monte da Rocha, na bacia do Sado, vai fazer descargas.
Rios em alerta máximo
A Proteção Civil mantém o alerta máximo devido ao risco de inundação em vários rios de Portugal continental entre hoje e sábado, devido à depressão Marta, indicou o comandante nacional da Proteção Civil.
A informação foi avançada por Mário Silvestre na conferência de imprensa sobre o ponto de situação do mau tempo na sede Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, Oeiras, no distrito de Lisboa.
O rio Vouga “apresenta afetação principal” nos municípios de Albergaria a Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Mira, Murtosa, Ovar, Vagos e Cantanhede.
Há também risco elevado no rio Águeda, em Águeda, e no rio Mondego, com impacto em Cantanhede, Coimbra, Condeixa a Nova, Figueira da Foz, Miranda do Corvo, Montemor o Velho e Soure.
eu não rio Chá, a pressão hidrológica estende-se a Abrantes, Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Entroncamento, Gavião, Golegã, Mação, Salvaterra de Magos, Santarém, Vila Franca de Xira e Vila Nova da Barquinha.
O rio Sorria mantém risco em Coruche e Benavente, enquanto o rio Sado afeta Alcácer do Sal, Santiago do Cacém, Grândola, Alvito, Ourique e Ferreira do Alentejo.
Com risco de inundação menos grave, mas ainda relevante, estão o rio Lima (Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Ponte de Lima), o Cávado (Braga, Barcelos, Vila Verde e Esposende), o Avenida (Santo Tirso, Trofa e Vila Nova de Famalicão), o Douro (Gondomar, Porto, Vila Nova de Gaia, Lamego e Peso da Régua), o Tâmega (Chaves e Amarante), o Lis (Leiria) e o Guadiana (Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António).
Mário Silvestre salientou que as “principais preocupações neste momento têm a ver com o rio Dourodevido às barragens espanholaso rio Mondego, cuja cota na barragem da Aguieira “subiu significativamente”, e o rio Chá, influenciado pelas descargas das barragens de Alcântara e Cedillo.
Marcelo preocupado
O Presidente da República manifestou-se preocupado com a possibilidade de mais inundações provocadas pelo regresso de chuva forte e por descargas de barragens espanholas e portuguesas e pediu aos cidadãos que evitem correr riscos.
“Esse é o grande desafio, hoje, estar-se a tempo e prevenir-se onde é possível para a eventualidade de amanhã, sábado, poder haver uma subida do nível das águas. Vamos ver até onde isso vai. Tudo está preparado em termos de prevenção, em termos de acorrer às necessidades mais urgentes”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, em Abrantes, no distrito de Santarém.
O chefe de Estado apelou aos cidadãos que evitem a “travessia de zonas de risco em termos de inundação”, alertando que em breve pode voltar a chover “em termos significativos” e que pode haver “a descarga de barragens quer espanholas quer portuguesas – porque algumas delas estão a 100%, a 90 e tal por cento”.
