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O estilista italiano Valentino Garavani em Paris, em 2004
Representante da “dolce vita” dos anos 1960, fascinado pelo vermelho, exalava luxo em cada detalhe, do seu penteado impecável ao bronzeado caramelo. Faleceu poucos meses após o amigo e rival Giorgio Armani.
Morreu esta segunda-feira, aos 93 anos, o estilista italiano Valentino Garavaniapós uma carreira que marcou a moda por quase meio século, personificou a “dolce vita” e deixou como legado um tom de vermelho que leva o seu nome.
Segundo a agência ANSAque cita a Fundação Valentino Garavani e o seu companheiro, Giancarlo Giammetti, o estilista morreu na sua residência, em Roma, três meses após o amigo e rival Giorgio Armani.
“Valentino, mestre indiscutível do estilo e da elegância e símbolo eterno da alta-costura italiana. Hoje a Itália perde uma lendamas seu legado continuará a inspirar gerações. Obrigada por tudo”, escreveu a primeira-ministra do país, Giorgia Meloninas redes sociais.
Conhecido simplesmente como Valentino, foi um dos mais importantes estilistas da alta-costura da sua época, recorda a agência AFP.
As suas criações foram vestidas por algumas das celebridades mais importantes da elite internacional, de Ava Gardner, Elizabeth TaylorLana Turner, Audrey Hepburn e Nancy Reagan Sharon Stone, Julia Roberts e Gwyneth Paltrow.
Tanto nas portais como na sua vida pessoal, Valentino exalava luxo em cada detalhe, do seu penteado impecável ao bronzeado caramelo.
Representante da “dolce vita” dos anos 1960Valentino promoveu a alta-costura à la romana, cujas linhas sensuais e atemporais atraíram as mulheres mais elegantes do mundo por quase meio século.
Entre as clientes do estilista estiveram a Princesa Diana, Farah Dibaque fugiu do Irão com um dos seus casacos vestido, e a antiga primeira-dama norte-americana Jackie Kennedyque lhe garantiu fama mundial.
Valentino viajava com os seus cinco cães num jato privadoentre o seu palacete em Roma, um apartamento em Nova Iorque, um castelo perto de Paris, um chalé em Gstaad e um iate de 50 metros.
“Perdemos hoje um verdadeiro mestreque sempre será lembrado pela sua arte”, publicou Donatella Versace não Instagram. Já a modelo Cindy Crawford disse que estava “destroçada” e que Valentino era “um verdadeiro mestre no seu ofício“.
Sofia Loren recordou a “alma bondosa, cheia de humanidade” de Valentino, em declaração divulgada pela Ansa. A atriz americana Gwyneth Paltrowpor sua vez, destacou no Instagram o que chamou de “fim de uma era”.
O estilista nasceu a 11 de maio de 1932, na pequena cidade de Voghera, numa família burguesa. Referindo-se à moda, disse à revista Elle: “Não gosto de ver homens sem gravata, a usar camisolasou mulheres muito maquilhadas e com calças sem forma. É um sinal de má educação e falta de respeito consigo próprio.”
O pai de Valentino, dono de uma empresa de cabos elétricos, permitiu que o estilista viajasse aos 17 anos para estudar na Escola de Belas-Artes de Paris e entrar na Câmara Sindical da Costura.
O estilo daquela época marcou a sensibilidade estética de Valentino, que definiu uma mulher com cintura marcada e sapatos de salto alto como fetiches.
Em 1952, Valentino foi contratado pelo estilista Jean Dessèsque vestia clientes ricas e membros da realeza. Em 1957, começou a trabalhar para Guy Laroche.
Com a ajuda de Giammetti, seu companheiro e sócio até à reforma, abriu em 1960, em Roma, a sua casae transformou a Valentino numa marca internacionalatravés de sucessivas aquisições.
Na década de 1960, Roma tornou-se uma verdadeira “sucursal de Hollywood“, graças aos estúdios Cinecittà. Anita Ekberg, Sophia Loren e Liz Taylor vestiram criações do estilista.
A primeira coleção de Valentino em 1962 deixou como marca o seu icónico vermelho imperialque passou a chamar-se vermelho “Valentino”. Poucos elementos são tão associados ao estilista como esta cor, inspirada, segundo o próprio, por uma noite na ópera, a ver Carmem.
Ó encontro do estilista com Jackie Kennedy em 1964 foi determinante. A ex-primeira-dama escolheu um modelo Valentino para o seu segundo casamentocom o magnata grego Aristóteles Onassisem 1968.
Considerado o porta-voz da alta-costura do seu país, Valentino Garavani elevou o selo “Fabricado na Itália” à proeminência global. Celebrou os seus 45 anos de carreira em grande estilo, em 2007, com o seu último desfile, que encerrou em lágrimas, e reformou-se em janeiro de 2008.
