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Na “escola” onde Trump quer andar, já os paleoesquimós foram “professores”



Matthew Walls, Mari Kleist e Pauline Knudsen

A coautora do estudo, Mari Kleist, documentou um círculo de tendas paleoesquimós primitivas na ilha de Isbjørne, em Kitsissut

Gronelândia: aquele que é, agora, um dos sítios mais desejados do mundo foi, em tempos, um dos mais difíceis de alcançar. Mas os paleoesquimós fizeram-no há 4.500 anos, enfrentando mares gelados.

Donald Trump tem expressado vontade em “conquistar” a Gronelândia, mas, primeiro, tem muito que aprender com os paleoesquimós.

Vestígios arqueológicos nas ilhas Kitsissutao largo da costa da Gronelândia, revelam que comunidades inteiras viajavam regularmente através das perigosas águas do Ártico até lá chegar, há 4.500 anos.

As primeiras pessoas a chegar às ilhas Kitsissut, ao largo da costa noroeste da Gronelândia, foram povos indígenas, que atravessaram mais de 50 quilómetros de águas traiçoeiras. É a conclusão de um estudo publicado esta segunda-feira na Antiguidade.

Em 2019, o grupo da Universidade de Calgary (Canadá) fez um levantamento nas ilhas Kitsissut, também conhecidas como ilhas Carey, a noroeste da Gronelândia. As ilhas situam-se na polínia Pikialasorsuaq, uma área de água aberta rodeada por gelo marinho.

Como detalha a Novo Cientistaos investigadores concentraram-se nas três ilhas centrais: Ursos polares, Centro e Noroeste. Encontraram cinco sítios com um total de 297 elementos arqueológicos.

Os maiores agrupamentos localizavam-se em Isbjørne, ao longo de terraços de praia. Aí, a equipa encontrou vestígios de 15 tendas circularescada uma dividida em duas metades por pedras, com uma lareira central. Estas tendas “bilobadas” são características dos paleoesquimós, os primeiros povos a chegar ao norte do Canadá e à Gronelândia.

Segundo os autores do estudo, os paleoesquimós, provavelmente, viajaram para oeste a partir daí até Kitsissut.No entanto, tendo em conta as correntes e os ventos predominantes, é provável que tenham partido de um ponto mais a norte, resultando numa viagem mais longa, mas mais segura.

Como refere a New Scientist, a única viagem marítima comparável conhecida da pré-história do Ártico é a travessia do estreito de Bering, com 82 quilómetros, da Sibéria para o Alasca, que terá sido realizada pela primeira vez há pelo menos 20.000 anos.

“Eles tinham de possuir embarcações aquáticas bastante sofisticadas para atravessar esse troço de água”, capazes de transportar talvez nove ou 10 pessoas, disse, à mesma revista, John Darwentda Universidade da Califórnia, em Davis, que não esteve envolvido no estudo.



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