
Val di Funes
Os habitantes do Val di Funes estão fartos dos turistas que vão apenas tirar fotografias e entopem o trânsito sem contribuir para a economia local.
As autoridades do Val di Funes, um pitoresco vale alpino na província do Tirol do Sul, no norte de Itália, anunciaram novas restrições ao acesso dos turistas a um dos pontos turísticos mais fotografados da região, em resposta à crescente frustração dos habitantes locais com o congestionamento, o caos no estacionamento e a invasão de propriedade privada.
Aninhado sob os picos recortados de Odle, o Val di Funes é famoso pela sua paisagem perfeita para os postaiscom prados verdejantes, casas alpinas tradicionais e cenários montanhosos dramáticos que brilham ao pôr-do-sol. Nos últimos anos, porém, o encanto tranquilo do vale tem sido perturbado por um fluxo de turistas que fazem passeios de um dia, atraídos pelas imagens nas redes sociais, principalmente das igrejas de Santa Maddalena e San Giovanni di Ranui.
O que antes era principalmente um destino para caminhadas tornou-se cada vez mais uma paragem para visitas curtas com o objetivo de captar a foto “perfeita”. As autoridades locais dizem que esta mudança trouxe benefícios económicos limitados, ao mesmo tempo que exerceu uma forte pressão sobre as infraestruturas.
O presidente da Câmara, Peter Pernthaler, disse que os grupos de turistas costumam chegar, estacionar indiscriminadamente e partir rapidamente após tirarem fotografias. “Não contribuem com nada além do lixo que deixam para trás. Os habitantes locais chegaram ao limite da paciência, por isso decidimos agir. Estamos preparados para fazer mais: este ano, não permitiremos qualquer invasão.”, disse à imprensa local.
De maio a novembro, o acesso à estreita estrada que conduz à igreja de Santa Maddalena será restrito aos residentes e hóspedes dos hotéis. Os turistas deverão estacionar em áreas designadas e, quando esses lugares estiverem ocupados, os veículos serão desviados para estacionamentos mais abaixo no vale. As taxas de estacionamento também deverão aumentar, uma vez que a atual taxa diária de 4 euros é considerada demasiado baixa para desencorajar breves paragens para fotos.
Não haverá sistema de reservas para estacionamento, mas a câmara municipal está em negociações com a cidade vizinha de Chiusa para implementar um serviço de autocarros circulares, visando reduzir o tráfego automóvel nas zonas mais congestionadas.
Pernthaler enfatizou que as medidas não são anti-turismo, mas sim uma tentativa de restabelecer a ordem e o equilíbrio. “A estrada em Santa Maddalena é muito estreita”, disse, sublinhando a responsabilidade da câmara municipal em garantir que os residentes e visitantes se possam deslocar livremente, sem congestionamentos constantes. Os turistas, acrescentou, ainda poderão chegar à igreja a pé.
A igreja pode atrair até 600 visitantes num único dia. Embora os residentes estejam habituados ao turismo, as autoridades afirmam que a escala atual é insustentável. Acredita-se que a popularidade do vale tenha aumentado internacionalmente depois de imagens de Santa Maddalena terem aparecido em cartões SIM de telemóveis chineses em 2005.
Val di Funes não é o único a enfrentar estes desafios. Por toda a região das Dolomitas, as comunidades lutam contra o excesso de turismopreocupações que deverão intensificar-se com a proximidade dos Jogos Olímpicos de Inverno.
