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Narva está com medo de Putin



Aleksander Kaasik/Wikimedia

Narva (Estónia à esquerda, Rússia à direita)

“Aqui, nos confins da Europa, a guerra é sentida de forma diferente. Vemos a Rússia do outro lado da fronteira todos os dias, perguntamos o que vai acontecer a seguir”.

De cidade desconhecida em quase todo o mundo, passou a ser notícia em quase todo o mundo: Narva.

Ao longo da sua história, a cidade já esteve sob domínio dinamarquês, alemão, russo, sueco e estoniano.

É a terceira maior cidade da Estónia e, como já tínhamos destacado, é uma espécie de porto para a Terceira Guerra Mundial: está numa intersecção que separa o território da NATO e a Rússia.

Lá no nordeste da Europa, a cidade junto à fronteira com a Rússia é vista como um ponto de inflamação para um potencial conflito global; é uma zona cada vez mais tensa desde a invasão da Ucrânia.

Tem 56 mil habitantes e muitos deles não estão tranquilos: têm medo do que Vladimir Putin vai fazer a seguir – o presidente da Rússia chegou a lembrar que, tal como a Rússia está a “recuperar” território na Ucrânia, no século XVIII também o czar Pedro, o Grande também “recuperou” Narva da Suécia.

Esse receio está visível na cidade da Estónia. Já não há carros a atravessar a ponte sobre o rio Narva para ir à Rússia, ou fazer compras ou visitar familiares. Só vão aparecendo algumas pessoas a pé.

Essa pequena ponte, que divide Estónia e Rússia, até se chama Ponte da Amizade, já que era um símbolo de cooperação; agora parece uma muralha, com arame farpado e obstáculos anti-tanques.

É um clima pesado, descreve a AFP. E isso nota-se nas palavras da presidente da Câmara Municipal, Katri Raik: “Aqui, nos confins da Europa, a guerra é sentida de forma diferente. Vemos a Rússia do outro lado da fronteira todos os dias, perguntamos o que vai acontecer a seguir”.

“Não consigo dizer o quão receosas as pessoas daqui estão, mas estamos todos a pensar o que vai acontecer a seguir – e a resposta a essa pergunta é muito difícil de dar”, comenta a responsável local.

A Estónia tem reforçado as suas defesas em todo território. Além disso, cidadãos russos não podem votar em eleições locais. O estoniano passou a ser a única língua a ser ensinada nas escolas, incluindo em Narva – onde a grande maioria das pessoas (95%) fala russo.

Há uma “tempestade perfeita” em Narva: medo, proximidade com a Rússia, desemprego, luz mais cara e colapso das relações com a Rússia.

Mihhail Stalnuhhin, presidente do Conselho Municipal, não hesita em dizer: “Este é o período mais difícil da nossa história em quase 40 anos. Vemos como estão a tratar-nos. E, a isso, ainda somamos o discurso constante sobre guerra, guerra, guerra. As pessoas vivem uma situação moral, económica e social muito difícil”.



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