
Roel Wijnants/Flickr
É um dos debates mais antigos da arqueologia: como é que as enormes pedras azuis de Stonehenge chegaram ao seu local de repouso final. Terá o mistério sido finalmente resolvido?
Um novo estudo da Universidade Curtin está a reformular a forma como os cientistas compreendem as origens das icónicas pedras azuis de Stonehengeoferecendo a prova mais convincente até à data de que foram transportadas para o local por pessoas e não por gelo em movimento.
Durante décadas, os investigadores têm debatido se os glaciares poderiam ter transportado a Pedra do Altar e outras grandes rochas até à Planície de Salisbury, havendo estudos que sugerem que não foram trazidas por humanos.
O novo estudo faz agora pender a balança para o movimento humano intencional, sugerindo que as pedras foram deliberadamente trazidas para o monumento em vez de terem sido depositadas por forças naturais.
Para testar esta ideia, os cientistas da Curtin recorreram a uma técnica conhecida como “impressão digital” minerale analisaram grãos minerais microscópicos preservados em sedimentos fluviais que rodeiam Stonehenge, no sul de Inglaterra.
Estes grãos registam as longas viagens dos sedimentos através da Grã-Bretanha e fornecem pistas sobre as regiões por onde outrora passaram, explica o Ciência Tecnologia Diário.
Se os glaciares tivessem varrido a áreateriam deixado para trás uma mistura distintiva de minerais erodidos de paisagens distantes. Ao longo de milhares de anos, essas rochas ter-se-iam desintegrado, libertando minúsculas partículas que ainda hoje poderiam ser detetadas e datadas.
Usando instrumentos avançados no Centro John de Laeter da Curtin, a equipa de investigação estudou mais de 500 cristais de zircãoum dos minerais mais resistentes da Terra e um indicador fiável da história geológica.
“Os resultados não revelaram qualquer evidência mineral de que mantos de gelo alguma vez tivessem alcançado o local de Stonehenge”, diz Anthony Clarkeinvestigador da Curtin e autor principal do estudo.
“Se os glaciares tivessem transportado rochas desde a Escócia ou o País de Gales até Stonehenge, teriam deixado uma assinatura mineral clara na Planície de Salisbury”, explica Clarke. “Essas rochas ter-se-iam erodido ao longo do tempo, libertando minúsculos grãos que poderíamos datar para compreender as suas idades e de onde vieram”.
“Examinámos as areias fluviais perto de Stonehenge à procura de alguns desses grãos que os glaciares poderiam ter transportado e não encontrámos nenhum. Isso torna a explicação alternativa, de que foram os humanos que moveram as pedras, muito mais plausível”, conclui.
Então, como foram movidas as pedras?
Segundo Clarke, a forma como os humanos poderão ter movido as pedras continua a ser um mistério.
“Há quem diga que as pedras podem ter sido transportadas por via marítima desde a Escócia ou o País de Gales, ou podem ter sido transportadas por terra usando troncos rolantes, mas na verdade podemos nunca vir a saber. Mas o que sabemos é que o gelo quase certamente não moveu as pedras”.
Segundo o professor Chris Kirklandtambém investigador da Universidade de Curtin,as descobertas destacam o poder das ferramentas geoquímicas modernas para resolver questões históricas de longa data.
“Stonehenge continua a surpreender-nos“, diz Kirkland. “Ao analisarmos minerais mais pequenos do que um grão de areiaconseguimos testar teorias que persistiram durante mais de um século”.
“Há tantas questões que podem ser colocadas sobre este monumento icónico — por exemplo, por que razão foi Stonehenge construído? Foi provavelmente usado para uma grande variedade de propósitos diferentes, como um calendário, um templo antigo, um local de banquetes”, acrescenta.
“Portanto, colocar e depois responder a este tipo de questões requer diferentes tipos de conjuntos de dados e este estudo acrescenta uma peça importante a esse quadro mais amplo.”
As descobertas surgem na sequência de outra importante descoberta, liderada pela Universidade de Curtin em 2024, que identificou uma origem escocesa para a rocha central de seis toneladas da ‘Pedra do Altar’ no coração de Stonehenge.
Ó estudo de 2024 reforçou então ainda mais a visão de que os construtores neolíticos obtiveram e transportaram as icónicas pedras deliberadamente e ao longo de vastas distâncias.
