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O México baniu os vapes. Não correu nada bem



Colocado ao nível da droga mais mortal do mundo, o mercado milionário do cigarro eletrónico tornou-se muito apetecível para sete cartéis.

A proibição de cigarros eletrónicos no México, já consagrada na Constituição do país, estará a acelerar a transferência de um mercado altamente lucrativo para as mãos dos cartéis.

Grupos de crime organizado, que já controlavam partes relevantes do comércio ilícito de tabaco e nicotina, estão a expandir desde 2022 para o mercados dos vapes, ano em que o então Presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, proibiu a importação e a venda de dispositivos de vaping. Depois de o Supremo Tribunal ter considerado a medida inconstitucional, o Governo avançou com uma alteração constitucional que acabou por ser aprovada em janeiro de 2025, já sob a liderança da Presidente Claudia Sheinbaum, explica a PA.

A mudança colocou os vapes no mesmo patamar legislativo que substâncias altamente perigosas, como o mortífero fentanilalgo que vários juristas consideram desproporcionado.

O endurecimento constitucional previsto não foi acompanhado, durante meses, por um quadro de implementação suficientemente claro, nota a agência no final de janeiro, e a lacuna tem permitido que os produtos ligados aos vapes continuem a entrar no país, sobretudo a partir da China e dos Estados Unidos: os vapes tornaram-se uma importante receita para os cartéis.

Em dezembro, uma nova lei veio fechar o principal “buraco” legal ao proibir praticamente todas as etapas do negócio (à exceção do consumo) e estabelecer coimas e penas de prisão que podem chegar aos oito anos.

Atualmente, pelo menos sete grupos disputam o controlo deste mercado clandestino: o Cártel Jalisco Nueva Generación, o Sinaloa Cartel, a Nueva Familia Michoacana, o Gulf Cartel, o Northeast Cartel, os United Cartels e a La Unión Tepito, de acordo com o relatório “Smoke, vaping and power: the new business of organized crime”, elaborado por organizações civis locais e pelo jornalista mexicano Óscar Balderas e citado pela Forbes México. Os lucros funcionam como um fundo estratégico para financiar armas, logística criminal e confrontos em pelo menos 16 estados mexicanos considerados de alto risco.

Citados pelo A semanainvestigadores do Instituto RIA alertam que a proibição, em vez de reduzir o consumo, está a “entregar o mercado a grupos não estatais” num país marcado por corrupção e violência. Defendem que se deve regular em vez de proibir, com regras claras, fiscalização e controlo de qualidade.



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