
Número de assassinatos diminuiu no ano passado, mas o Brasil continua a liderar esta lista indesejada.
Ao longo de 2025, foram assassinadas 80 pessoas transexuais e travestis no Brasil.
É uma descida em relação às 122 mortes do ano anterior, mas o Brasil continua a liderar esta lista indesejada. Há 18 anos que o Brasil está no topo deste classificação.
No ano passado, Ceará e Minas Gerais foram os estados com mais assassinatos (8 cada). A Região Nordeste continua a acumular a maioria dos crimes: 38 assassinatos, seguido pelo Sudeste com 17, o Centro-Oeste com 12, o Norte com sete e o Sul com seis.
A maioria das vítimas são mulheres, sobretudo jovens entre 18 e 35 anos, e essencialmente pessoas negras e pardas.
Os números, partilhados pela Agência Brasilforam revelados pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).
Para a elaboração da tabela, foram analisadas notícias diariamente, denúncias diretas feitas às organizações trans e registos públicos.
Bruna Benevides, presidente da Antra, avisa que esta é uma consequência de um sistema inteiro que transforma em algo natural a opressão contra pessoas trans.
“Não são mortes isoladas. Revelam uma população exposta à violência extrema desde muito cedo, atravessada por exclusão social, racismo, abandono institucional e sofrimento psicológico contínuo”, segundo Bruna.
E até a recolha de dados deve ser feita, avisa a responsável. Porque, se a sociedade civil não fizer esse trabalho, as mortes simplesmente não existem para o Estado brasileiro.
Um dado importante: o número de tentativas de homicídio aumentou. Ou seja, houve menos mortes, mas não menos violência.
