
“Estás a ser fornicado por uma ave rara!”. Conheça o fascinante e cada vez mais raro kākāpo.
Com um peso semelhante ao de um gato doméstico e uma plumagem verde “musgo” que o camufla, uma ave peculiar prefere caminhar e trepar a árvores em vez de levantar voo. Não, não é intútil: na verdade, é hoje um símbolo da singularidade evolutiva da Nova Zelândia.
Ó kakapo é um papagaio noturno e incapaz de voar, é hoje um dos casos mais extraordinários — e mais frágeis — da conservação da natureza. Talvez o conheça pela série Last Chance to See, em que um macho chamado Sirocco tentou acasalar com a cabeça do apresentador.
O episódio até ajudou, não só a fixar no imaginário popular o caráter excêntrico deste papagaio, como a realmente chamar a atenção para a sua situação crítica.
O kākāpo é considerado único entre os papagaios por várias razões, explica a BBC: é o mais pesado do grupo, é totalmente terrestre e é também o único que recorre a um sistema de reprodução do tipo “lek”em que os machos se exibem em locais de cortejo e emitem sons graves, um “boom” profundo, para atrair fêmeas. Quase como diz a canção Passinho do Volante.
Considerado extinto durante décadas em grande parte do território, o kākāpo foi redescoberto com uma população em Stewart Island, em 1977, ameaçada por gatos selvagens.
O curioso papagaio mede cerca de 58 a 64 centímetros e estima-se que possa viver entre 60 e uns impressionantes 90 anos. Os machos pesam entre 2 e 4 kg e as fêmeas entre 1 e 2,5 kg. A ausência histórica de mamíferos terrestres na Nova Zelândia terá contribuído para que a espécie perdesse a capacidade de voar e ganhasse massa corporal.
Mantém asas, mas usa-as sobretudo para equilíbrio; algumas fêmeas mais leves conseguem planar distâncias curtas. No terreno, destaca-se como exímio caminhante e escalador, ao percorrer vários quilómetros e subir árvores com facilidade.
Herbívoro, o kākāpo alimenta-se de frutos, sementes, folhas, flores, bolbos e casca. A reprodução é lenta: só começa depois dos cinco anos e, muitas vezes, apenas mais tarde. Não se reproduz anualmente, mas sim a cada dois a quatro anos, em anos de frutificação intensa das árvores rimu. As fêmeas criam as crias sozinhaspondo entre um e cinco ovos, embora geralmente apenas uma cria consiga voar do ninho por época.
Apesar de sinais de recuperação, a situação ainda é delicada: existem menos de 250 kākāpos no mundo e a espécie está classificada como “Criticamente em Perigo” na Lista Vermelha da IUCN.
