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O que é a Guarda Revolucionária do Irão, que a UE classificou como “grupo terrorista”



Notícias de Tasnim / Wikipédia

Comandos da Força Terrestre da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão

A União Europeia declarou esta semana a força paramilitar iraniana como organização terrorista. A classificação surge em resposta ao seu papel na repressão brutal de manifestações em todo o Irão no início deste mês.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, poderosa força paramilitar que responde apenas perante o líder supremo Ayatollah Ali Khameneitornou-se uma entidade formidável dentro da teocracia do país.

A milícia iraniana, que controla o arsenal de mísseis balísticos do país e tem sido associada a ataques no estrangeiro, surgiu da Revolução Islâmica de 1979 como uma força, supervisionada por clérigos xiitas destinada a proteger o governo do paíse mais tarde consagrada na sua constituição.

A Guarda Revolucionária opera em paralelo com as forças armadas regulares do Irão, e a sua proeminência e poder cresceram durante a longa e ruinosa guerra com o Iraque na década de 1980.

Embora tenha enfrentado uma possível dissolução após a guerra, Khamenei acabaria por conceder-lhe poderes para se expandir à iniciativa privadao que permitiu que a força prosperasse, recorda o O Independente.

A Guarda gere agora uma enorme empresa de construçãochamada Khatam al-Anbia, e possui empresas que constroem estradas, gerem portosoperam redes de telecomunicações e até oferecem cirurgia ocular a laser.

As operações no estrangeiro

UM Forçar Qudsunidade expedicionária da Guarda, foi fundamental na criação do que o Irão descreve como o seu “Eixo da Resistência” contra Israel e os Estados Unidos. Apoiou o antigo presidente sírio Bashar Assad, o grupo militante libanês Hezbollah, os rebeldes houthis do Iémen e outros grupos na região, ganhando poder na sequência da invasão do Iraque liderada pelos EUA em 2003.

Segundo funcionários norte-americanos citados pelo The Independent, a Guarda ensinou militantes iraquianos a fabricar e usar bombas especialmente mortíferas contra as tropas americanas ali. Acredita-se que a Força Quds, bem como as agências de informação iranianas, tenham contratado gangs criminosos para atacar dissidentes e inimigos do Irão no estrangeiro.

Após a mais recente guerra entre Israel e o HamasIsrael prendeu vários cidadãos sob acusações de receber ordens do Irão para vigiar alvos ou cometer atos de vandalismo. O Irão negou estar envolvido nesses planos.

A Guarda opera também os seus próprios serviços de informaçãoe tem estado portrás de uma série de detenções e condenações de cidadãos com dupla nacionalidade e de pessoas com ligações ao Ocidente por acusações de espionagem.

A teocracia governante no Irão tem também esmagado os protestos nas ruas de Teerão através do Basij, o braço totalmente voluntário da Guarda. Vídeos das manifestações que começaram a 28 de Dezembro mostram membros da Basij a segurar espingardas, cassetetes e revolveres. As suas forças foram vistas a espancar manifestantes e a persegui-los pelas ruas.

Um conhecido comandante da Basij chegou mesmo a aparecer na televisão estatal a avisar os pais para manterem os filhos em casaao mesmo tempo que apelava aos membros da força para se reunirem para reprimir as manifestações.

Na quinta-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia decidiram por unanimidade incluir a Guarda Revolucionária do Irão na lista das organizações terroristas.

No mesmo dia, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallaexplicou que esta classificação coloca o regime iraniano “no mesmo patamar” que a Al-Qaeda, o Hezbollah, o Hamas e o grupo Estado Islâmico.

Segundo a Euronewsa decisão surge na sequência da brutal repressão do regime iraniano contra os manifestantes que protestam contar o governo — que terá provocado a morte de 30 mil pessoas em dois dias.



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