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Cruciais para o funcionamento dos ecossistemas, passam por inúmeras ameaças; espécies exóticas invasoras são as mais graves.
Os insetos são muitas vezes vistos como “invasores”, associados a espécies mediáticas como a vespa-asiática, a joaninha-arlequim ou a formiga-de-fogo.
Mas um novo estudo alerta para o outro lado da história: em grande parte do mundo, os insetos estão também entre as principais vítimas das espécies exóticas invasoras — com impactos diretos na biodiversidade e em serviços essenciais para as pessoas, como a polinização e o controlo natural de pragas.
A primeira análise global do género, liderada pelo UK Centre for Ecology & Hydrology (UKCEH), conclui que as espécies invasoras reduzem, em média, a abundância de insetos terrestres em 31% e a riqueza de espécies em 21%.
Segundo os autores, os mecanismos são diversos: animais invasores podem competir com os insetos por recursos ou predá-los, enquanto plantas invasoras substituem a vegetação nativa que serve de alimento e habitat.
A queda não é uniforme entre grupos. O estudo estima reduções médias de abundância de 58% nos Hemiptera (os “true bugs”), 37% nos Hymenoptera (que incluem formigas, abelhas e vespas), 27% em Orthoptera (gafanhotos e grilos) e 12% nos Coleoptera (besouros).
O estudo analisou dados de seis continentes; indica que abelhas, vespas e formigas tendem a ser mais afetados do que os besourosembora os efeitos variem com a dinâmica local: em áreas onde a vegetação nativa já foi perdida, certas plantas invasoras podem, em alguns casos, sustentar populações de insetos.
As espécies exóticas invasoras são um dos cinco grandes motores diretos da perda global de biodiversidade, a par das alterações no uso do solo e do mar, exploração direta, alterações climáticas e poluição.
Para Grace Skinner, do UKCEH, reconhecer os insetos como “vítimas da invasão” é crucial para orientar a gestão de habitats e priorizar ações quando os recursos são limitados, cita o Física.
Os investigadores sublinham que a propagação de espécies não nativas é impulsionada pelo transporte global e por temperaturas mais elevadas. Defendem reforço da biossegurança e colaboração transfronteiriça, além de medidas práticas: escolher plantas com cuidado e aplicar o princípio “verificar, limpar, secar” em equipamentos usados por pescadores, embarcações e setores florestais.
