
Manuel de Almeida / Lusa
Paulo Portas, antigo vice-primeiro-ministro e ex-líder do CDS
O ex-presidente do CDS-PP Paulo Portas anunciou este domingo que votará em António José Seguro na segunda volta das presidenciais, afirmando que escolhe o “candidato moderado” e criticando quem vê nesta uma eleição entre “direita e esquerda”.
No seu espaço de comentário semanal na TVI, Paulo Portas começou por dizer que votará no “candidato moderado”, porque “sabe muito bem desde o início em quem nunca votaria para Presidente da República”.
Segundo o ex-presidente do CDS-PP. cabe a um chefe de Estado “unir o país” e “representar o melhor da comunidade”, duas características que não disse não reconhecer no candidato André Venturaque é também líder do Chega.
“Não me parece de todo que o outro candidato, aquele senhor que grita muitofosse para a Presidência da República unir o que quer que fosse, porque ele só sabe dividir, pôr uns contra os outrosdividir a nação em tribos, em raças, em etnias, em confissões religiosas, e isso é o contrário da função presidencial”, criticou.
Apesar de reconhecer “divergências doutrinárias” com António José Seguroex-secretário-geral do PS e apoiado pelo partido, o antigo vice-primeiro-ministro explicou que as divergências com o líder do Chega “são de outra natureza” e têm a ver como o humanismo e a forma como se olha para o ser humano.
Portas disse ainda ver no candidato apoiado pelo PS um “político decente”, lembrando o seu papel “num momento muito difícil para Portugal” e criticando quem vê que nesta segunda volta, em 8 de fevereiro, esteja em causa apenas uma eleição entre esquerda e direita.
“Para aqueles que dizem que isto é uma eleição entre a direita e a esquerda, isso é um grande exagero“, diz Portas. “É uma eleição entre um político que à esquerda é talvez o mais próximo do centro e um político que está à direita da direita e que se junta ao extremismo que está na moda lá fora“.
“E, portanto, eu não tenho nenhuma dúvida sobre qual é a escolha”, resumiu o antigo vice-primeiro-ministro de Pedro Passos Coelho.
Paulo Portas é mais uma das personalidades não socialistas que nos últimos dias tem manifestado o seu apoio a António José Seguro.
No sábado, mais de 200 figuras assumidamente “não socialistas”, lançaram uma carta aberta de apoio ao candidato apoiado pelo PS, cuja moderação elogiam, e sublinhando que André Ventura não os representarejeitando “a manifesta falta de sentido de Estado e o divisionismo que o candidato anuncia ao dizer desde já que não pretende ser o Presidente de todos os portugueses“.
Entre os signatários constam nomes como o de António Lobo Xaviere Miguel Frasquilho, os antigos ministros António Capucho, Miguel Poiares Maduro e Arlindo Cunhaos antigos autarcas do PSD Carlos Carreiras e Ricardo Rioo historiador José Pacheco Pereira, a futebolista Francisca Nazareth, o humorista José Diogo Quintela, e os escritores Miguel Esteves CardosoHenrique Raposo, Pedro Mexia, Afonso Reis Cabral, Rita Ferro e Francisco José Viegas.
Os signatários da carta, que à hora desta edição conta com mais de 5800 assinaturas, consideram que Seguro “evitou na campanha o facciosismo ou a ofensa, e tem um percurso político de moderação, honestidade e dignidade“, pelo que, “ainda que não-socialistas, votam e apelam ao voto” o candidato socialista.
