
Uma terapia para os doentes inalarem foi considerada capaz de reduzir tumores pulmonares ao inserir genes que reforçam o sistema imunitário nas células circundantes, recebendo “via rápida” da FDA para aprovação.
Uma terapia genética inalável pioneira para o cancro do pulmão que modifica geneticamente as células pulmonares foi encaminhada por via rápida para potencial aprovação após resultados promissores de ensaios clínicos.
Como explica a Novo Cientistao tratamento é inovador porque utiliza um vírus para transportar genes que reforçam o sistema imunitário para as células pulmonares, tornando-as mais eficazes a combater tumores por si próprias. A terapia genética envolve normalmente a substituição de cópias defeituosas de genes essenciais.
“De forma muito encorajadora, a hipótese foi comprovada – houve redução dos tumores nos pulmões”, enalteceu o líder da investigação, Wen Wee Mada Cleveland Clinic, em Ohio, em uma reunião da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago.
Outro aspecto incomum é o fato de ser inalado em vez de ingerido ou injetado. A vantagem desse modo de administração é que ele leva a terapia diretamente aos pulmões.
Uma das razões pelas quais o câncer de pulmão é a forma mais mortal da doença é, precisamente, o fato de que os tratamentos administrados por via oral ou intravenosa têm dificuldade em alcançar os pulmões.
Como funciona a terapia?
A nova terapia contém um vírus do herpes que foi modificado para se tornar inofensivo e incapaz de se propagar a outras pessoas.
O vírus é encarregado de transportar dois genes, um que codifica a proteína interleucina-2 e outro que codifica a interleucina-12, para as células pulmonares. Estas substâncias são produzidas naturalmente no organismo e ajudam a suprimir o crescimento tumoral. Contudo, os tumores frequentemente reagem e esgotam-nas, pelo que a terapia genética foi concebida para restaurar a sua produção.
Na administração, um líquido contendo a terapia genética é nebulizado, ou seja, convertido em uma névoa fina que as pessoas inalam diretamente para os pulmões a partir de um dispositivo.
A equipa anunciou que a terapia genética reduziu o tamanho dos tumores pulmonares em três de 11 pessoas e impediu que aumentassem em outras cinco. Alguns doentes apresentaram efeitos secundários como arrepios ou vómitos, mas não foram identificadas preocupações graves de segurança.
Com base nestes resultados positivos, a terapia genética recebeu esta semana a designação de “terapia avançada de medicina regenerativa” da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA). Ou seja, a agência procurará acelerar a sua aprovação para que os doentes possam ter acesso rapidamente.
Uma desvantagem da terapia genética é que apenas visa tumores confinados aos pulmões, não quando se disseminaram para outras partes do corpo.
