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Quase o dobro dos votos de Seguro: Ventura vence (de longe) no estrangeiro



Tiago Petinga / LUSA

O candidato à Presidência da República, André Ventura

‘Varreu’ França, o país com mais inscritos, onde teve 60,46%. Na Suíça foram 63,46%. E na África do Sul, africano com mais inscritos, mais de 82% votaram nele. O que explica este fenómeno?

Por cá, já sabemos a história desde domingo: António José Seguro foi o vencedor da primeira volta das presidenciais, com 31,11% dos votos, e André Ventura passou à segunda volta, com 23,52%. Mas lá fora, a história foi bem diferente.

Contados 95,41% dos votos no estrangeiro e com 5 de 109 consulados por apurar, à data da publicação deste artigo, Ventura obteve quase o dobro dos votos de António José Seguro (41,88% contra 23,25%).

Apenas 4,01% dos inscritos no estrangeiro foram votar. Ventura colecionou 41,68% dos votos na Europacontra 24,26% da Seguro; 48,04% em Áfricacontra 20,96% do candidato apoiado pelo PS; 48,96% na Américacontra 19,7%.

Foi no país com mais eleitores inscritos, Françaque André Ventura brilhou (a abstenção foi de 97,29%): obteve 60,46% dos votos, face a 18,72% de Seguro. Em Marselha, por exemplo, teve 66,54%. Mas na SuíçaVentura superou esse resultado: 63,46%, arrasando os 13,48% de Seguro. No LuxemburgoVentura também ultrapassou os 42%; Seguro ficou-se pelos 22,90%.

África do Sulpaís africano com mais votantes inscritos nestas eleições, Ventura obteve 82,46%: 1067 votos, face aos 38 de António José Seguro.

Só na Ásia e Oceânia é que Ventura saiu derrotado, e nem chegaria à segunda volta: ficou em terceiro (19,67%), a menos de 100 votos de Seguro. Marques Mendes ficou em primeiro, com 30,11%.

O que explica o domínio de Ventura lá fora

O padrão já vem de eleições anteriores. Se o Chega já está habituado a investir nas comunidades portuguesas, até com deslocações do próprio Ventura ao estrangeiro para campanhas de proximidade, também as mensagens de patriotismo tendem a ser bem digeridas por quem vive fora do país, recorda o politólogo especialista na direita radical portuguesa e autor do livro A Nova Direita Anti-Sistema: O Caso do Chegatem Sábado.

O discurso recorrente de exaltação do passado e da história portuguesa pode funcionar como âncora simbólica para quem vive lá fora e mantém uma ligação afetiva ao país de origem, sublinha à revista Marco Lisi, licenciado em ciências políticas na Universidade de Florença e professor auxiliar do Departamento de Estudos Políticos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e investigador do ICS.

E o voto na diáspora também capitaliza a frustração com os partidos tradicionaisfrequentemente associados, na memória de muitos emigrantes, a períodos de dificuldades económicas e falta de oportunidades que precipitaram a saída do país.

UM hegemonia digital de Ventura é outro ponto a favor do candidato. No estrangeiro, onde a campanha presencial é limitada e a informação circula sobretudo online, essa vantagem faz a diferença entre um resultado sólido e uma vitória indiscutível.



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