
A física teórica Sabrina González Pasterski, já considerada por muitos a “próxima Albert Einstein”
Não tem (ainda) o cabelo extravagante nem o magnífico bigode de Einstein, mas há quem diga que o seu cérebro não lhe fica atrás. Com apenas 32 anos, Sabrina Pasterski é uma das mais proeminentes físicas teóricas do mundo — mas rejeita a atenção mediática e a comparação com o físico alemão.
Nascida em Chicago a 3 de junho de 1993, Sabrina González Pasterski tornou-se um dos nomes mais promissores da física teórica mundial.
Com apenas 32 anos, a cientista norte-americana de ascendência polaca e cubana já conquistou uma reputação invejável no estudo da gravidade quântica e da celestial holográficotendo sido frequentemente apelidada de “a próxima Albert Einstein” — comparação que rejeita: “ninguém voltará a ser Einstein”.
A história de Pasterski é tão invulgar quanto impressionante. Aos nove anos, começou a ter aulas de pilotagem. Poucos anos mais tarde, entre os 12 e os 14 anos, construiu o seu próprio aviãoum Zenith CH 601 XL, que pilotou antes mesmo de ter idade para conduzir um automóvel.
“É realmente como liberdade”, recorda Pasterski sobre os primeiros voos. Esta proeza aeronáutica ajudou-a a ser aceite no Massachusetts Institute of Technology, depois de inicialmente ter sido colocada em lista de espera.
Em 2012, com 19 anos, foi escolhida para a lista “30 abaixo dos 30sim Científico Americano. Disse na altura que tinha sido Jeff Bezos a atraí-la para a física. Já no MIT, Pasterski decidiu mudar o rumo da sua carreira. “Pensei: já fiz engenharia aeroespacial, agora vou ser física“ele explica.
A decisão revelou-se acertada. Formou-se em 2013 com uma média perfeita de 5.0, tornando-se a primeira mulher em décadas com a melhor nota da sua turma no programa de física do MIT. Prosseguiu depois para Harvard, onde completou o doutoramento, em 2019, sob orientação de Andrew Strominger.
Foi durante o doutoramento que Pasterski, juntamente com Strominger e Alexander Zhiboedov, descobriu um novo efeito de memória gravitacional relacionado com ondas gravitacionais, que viria a ser designado pelos físicos de “triângulo Pasterski-Strominger-Zhiboedov“, uma contribuição fundamental para a compreensão das simetrias do espaço-tempo.
Este trabalho viria mesmo a ser citado num artigo publicado em 2016 por Strominger e Stephen Hawking já Cartas de revisão física sobre “soft hair” em buracos negros, uma das tentativas de repensar o paradoxo da informação.
Em 2021, Pasterski rejeitou uma proposta de 1 milhão de dólares da prestigiada Brown University e juntou-se ao Perimeter Institute for Theoretical Physics, no Canadá, onde fundou e lidera a Iniciativa Celestial Holográficaprojeto que explora uma das questões mais intrigantes da física: será possível descrever o nosso universo tridimensional através de uma teoria bidimensional?
“Holografia celestial são duas palavras: celestial e holografia”, explica Pasterski. “Por celestial, queremos literalmente dizer olhar para o céu noturno – como codificar o universo físico como um holograma?”
Se totalmente compreendida, esta ideia poderá conduzir a avanços significativos no mistério da gravidade quânticadiz a física norte-americana.
Apesar do seu percurso brilhante, Pasterski admite que a atenção mediática precoce trouxe pressão indesejada. “Não era síndrome do impostor – era saber que és realmente uma impostora” devido aos títulos que, ainda antes de completar o doutoramento, já a apelidavam de “próxima Einstein”.
Hoje, no Perimeter Institute, Pasterski diz ter encontrado o seu lugar. “Definitivamente encontrei a minha gente aqui“, afirma. No seu gabinete, entre livros de física, projetos de aviões e uma máquina de pinball, a jovem cientista continua a desvendar os segredos do universo – uma descoberta de cada vez.
