
Rayner Pena/EPA
45 mil casas sem luz, maior apagão na capital alemã desde a II Guerra Mundial. Polícia procura responsáveis pelo ataque.
O primeiro fim-de-semana de 2026 ficou para a história em Berlim: registou-se o maior apagão na capital da Alemanha desde o fim da II Guerra Mundial.
45 mil casas e 2.200 empresas ficaram sem electricidade ao longo de quase uma semana. Isto em pleno Inverno, quando Berlim regista várias vezes temperaturas abaixo de zero.
A falha de energia causada por um incêndio que atingiu um conjunto de cabos de alta tensão revelou lacunas na segurança das infraestruturas críticas da capital alemã, numa altura em que Berlim está preocupada com ataques de sabotagem provenientes da Rússia.
O apagão foi causado por um incêndio na central eléctrica de gás de Berlim-Lichterfelde. Não foi um acidente: o grupo Vulkangruppe, de activistas de extrema-esquerda, reivindicou a autoria do ataque – uma “medida necessária contra a expansão” de centrais eléctricas de gás natural.
Agora, a polícia está à procura dos membros desse “Grupo Vulcão”.
E há uma recompensa para quem tiver informações: 1 milhão de euros.
Nesta terça-feira, o ministro do Interior da Alemanha anunciou uma recompensa de 1 milhão de euros por informações que levem à detenção dos militantes do Vulkangruppe.
É a “resposta” do Governo, segundo o ministro Alexander Dobrindt: “As nossas agências de segurança vão ser significativamente reforçadas na luta contra o extremismo de esquerda. Penso que é apropriado sublinhar a gravidade da situação com uma recompensa desta magnitude”, nomeação ou Euronews.
A polícia vai ter uma campanha publicitária para solicitar dicas e divulgar a recompensa; terá folhetos e cartazes no metro da cidade.
Este ataque não é uma novidade no Vulkangruppe: ativo há 15 anos, já foi responsável por ataques incendiários em Berlim e arredores; um dos mais recentes (2024) interrompeu a produção da fábrica de automóveis da Tesla em Berlim.
O ministro Dobrindt também garantiu que o Bundestag, parlamento da Alemanha, vai adoptar ainda nesta semana uma nova lei para proteger melhor as infraestruturas críticas – mas já surgiram críticas: parece ser demasiado burocrático para ser eficaz.
E vai haver menos transparência sobre as instalações de infraestruturas vitais, para impedir ataques: “Já divulgámos demasiada informação pública sobre as nossas infraestruturas críticas”, admitiu Alexander Dobrindt.
