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A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi
A carteira que usa está esgotada, a sua caneta cor-de-rosa tornou-se viral e até os seus snacks favoritos são agora um sucesso. A líder japonesa Sanae Takaichi, de 64 anos, desencadeou uma febre improvável liderada por jovens que poderá impulsioná-la para uma grande vitória eleitoral.
As sondagens mais recentes sugerem que o ‘sanakatsu‘, algo como ‘sanamania’, pode ajudar Sanae Takaichia primeira mulher primeira-ministra do Japão, a ganhar as eleições gerais deste domingo de forma decisiva, e assegurar-lhe condições para avançar com os planos de despesa que prometeu que irão sacudir a economia moribunda do país.
Segundo indicam as sondagens desta semana, a coligação atualmente no governo do país, impulsionada pela popularidade pessoal da nova “Dama de Ferro” do Japão, poderá conquistar até 300 lugares na câmara baixa, com 465 assentos.
Esta é uma reviravolta notáveldiz a Reutersdepois de o seu antecessor à frente do governo do Japão ter renunciado ao cargo após perder o controlo de ambas as câmaras nas sucessivas votações ao longo dos últimos 15 meses.
O que é talvez ainda mais surpreendente é a popularidade de Takaichilíder da ala mais conservadora do seu partido, junto dos eleitores com menos de 30 anos, que segundo uma sondagem recente ultrapassa os 90%. A sua popularidade global situa-se em cerca de 60%.
Esta ‘sanamania’ é notória: a carteira que usa está esgotadaa sua caneta cor-de-rosa tornou-se viral e até os seus snacks favoritos estão a ser muito procurados.
Takanori Kobayashidiretor da Hamanoa empresa que fabrica a carteira de pele preta de 900 dólares que Takaichi usa regularmente, diz que ficou atónito com os jovens que clamam para comprar o artigo numa lista de espera de nove meses.
“A mala é normalmente comprada por pessoas na casa dos 40 ou 50 anos“, diz Kobayashi à Reuters, na fábrica da empresa em Nagano, no centro do Japão, onde recortes de imprensa da primeira-ministra estão afixados num quadro de avisos. “Mas desde que se tornou conhecidaprovavelmente através das redes sociais, temos visto muito interesse de clientes na casa dos 20 e 30 anos“.
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, com a sua carteira Hamano
Tem também havido um burburinho semelhante nas redes sociais em torno da caneta de esfera cor-de-rosa que usa para rabiscar notas no parlamento, e das bolachas de arroz com camarão que foi vista a segurar enquanto viajava de comboio.
Takaichi construiu um número de seguidores nas redes sociais que ofusca os dos seus rivais, tanto dentro do seu Partido Liberal Democrata como em toda a oposição. Tem cerca de 2,6 milhões de seguidores no seu perfil não Xcomparados com os 64.000 de Yoshihiko Noda, líder do principal partido da oposição.
Os índices de aprovação pessoal de Takaichi são quase o dobro dos do PLD, tradicionalmente um partido dominado por homens, de acordo com uma sondagem divulgada na segunda-feira pela emissora pública NHK.
As suas publicações virais destacam-se na política habitualmente sóbria do Japão, como é o caso dos videos em que aparece a tocar bateria om o presidente sul-coreano Lee Jae-myung ao som da canção de sucesso Golden da série Caçadores de Demônios K-Pop, da Netflix , ou a cantar os parabéns em italiano à primeira-ministra italiana Giorgia Meloni.
Quando Takaichi anunciou as eleições antecipadas a 19 de janeiro, apresentou a votação como um referendo de facto à sua liderança e políticasincluindo novas medidas fiscais e planos para reforçar a defesapara contrariar o crescente poderio militar da China.
“Podem confiar a gestão da nação a Sanae Takaichi? Peço diretamente ao povo que julgue”, disse na altura a Dama de Ferro japonesa.
A abordagem de Takaichi conquistou Haruka Okuyamauma trabalhadora de escritório de 32 anos que assistiu ao seu primeiro comício de campanha em Akihabara, um centro de cultura de anime e jogos no centro de Tóquio.
“Muitos jovens seguem as redes sociais hoje em dia, e penso que tem havido um aumento do pensamento conservador entre eles“, diz Okuyama à Reuters, enquanto tira da carteira uma revista, que disse ter comprado porque Takaichi estava na capa.
Nos seus comícis, num dos quais apareceu empoleirada no topo de um camião de campanha, Takaichi falau sobre a sua educação modesta fora da elite política japonesa, e aborda temas que vão desde o custo dos cabeleireiros ao controlo da imigração.
Filha de uma agente da polícia e de um trabalhador de uma empresa automóvel, diz que se inspirou em Margaret Thatchera filha de um lojista que se tornou a primeira mulher e a primeira-ministra moderna com mais tempo de serviço da Grã-Bretanha.
“Tem uma forma clara e decisiva de falar”, diz Takeo Fujimuraum funcionário administrativo de 24 anos que se tinha oferecido como voluntário para distribuir bandeiras japonesas de papel no evento. “Comunica de uma forma luminosa e positiva e penso que essa energia ressoa com os jovens.”
Alguns analistas questionam se os jovens que a primeira-ministra japonesa atraiu vão mesmo aparecer nas urnaspara entregar a vitória esmagadora que as sondagens preveem que terá no domingo.
Historicamente, os mais jovens têm sido menos propensos a votar do que as gerações mais velhas, que têm sustentado o domínio quase ininterrupto do PLD no pós-guerra.
Mas mesmo uma vitória modesta sublinharia como o seu apelo pessoal revitalizou a sorte de um partido cujo longo domínio do poder estava a escapar rapidamente, diz David Bolingconsultor do The Asia Group, empresa de consultoria estratégica. “O poder da sua personalidade parece estar a transcender a política”, diz Boling.
