
Paulo Cunha / LUSA
António José Seguro e André Ventura
O registo de António José Seguro manteve-se; o de André Ventura também, mas num volume ligeiramente mais baixo.
António José Seguro e André Ventura estiveram frente a frente, no único debate televisivo da campanha da segunda volta das eleições presidenciais.
O registo de António José Seguro manteve-se: aparente tranquilidade, volume baixo, postura calma. Sem grandes compromissos e, mais uma vez, longe de polémicas.
O registo de André Ventura também se manteve, com ataques e mais ataques, mas num volume ligeiramente mais baixo do que o habitual em diversos momentos.
O que está em causa
Para o ex-líder do PS, a escolha nesta segunda volta é, ou “escolher”, ou “eliminar”. Voltou a dizer que está feliz por ter “apoios de todos os quadrantes, mesmo fora dos partidos”. Tudo à volta do “presidente da união”.
O presidente do Chega tem outra perspectiva sobre o voto no dia 8 de Fevereiro: “As pessoas não vão votar Seguro, vão votar contra mim”; “Será uma luta de elites contra o povo”; “Seguro está capturado pelo sistema”.
Para Ventura, Seguro só diz “generalidades”, não apresenta propostas concretas; e até citou Cavaco Silva, que chegou a dizer que o antigo secretário-geral dos socialistas não era indicado para o Palácio de Belém. As pessoas têm direito a mudar de opinião, reagiu Seguro.
“Se é para agradar a todos, votem em António José Seguro, ou se querem uma espécie de rainha de Inglaterra”, comentou Ventura.
Saúde
Num debate sem grandes picardias, o ambiente aqueceu quando a Saúde passou a ser o tema.
André Ventura, enquanto presidente da República, iria obrigar o Governo a ter um plano concreto para resolver os problemas. Repetindo as críticas aos governos de António Costa, perguntou: “Como é que é possível sequer acreditarmos que António José Seguro vai fazer alguma exigência a nível de Saúde?”. E falou na “bandalheira”, de novo.
O adversário lembrou que não representa o PS nestas eleições: “O senhor está na eleição errada. Isto não é um debate parlamentar”. Sobre a Saúde, defende um pacto entre partidos. Porque “coisa diferente é um presidente da República exigir aos partidos políticos, incluindo o Governo, uma solução de compromisso que seja duradoura”.
Imigração
Outro tema mais “quente” foi a imigração, com Seguro a levantar um pouco o seu tom de voz.
Enquanto defendia que Portugal precisa de imigração – para a economia, para a Segurança Social, para o rejuvenescimento da nossa base demográfica – acusou André Ventura de ter uma “política de empadão em que se mistura tudo”, criando “divisão e medo na sociedade portuguesa”.
A certa altura, como descreve o Observadornenhum dos três moderadores (RTP, SIC e TVI) interrompeu a conversa entre os dois candidatos presidenciais; e Seguro esteve praticamente a entrevistar Venturafazendo diversas perguntas.
“Não podemos ter entrada de gente de qualquer maneira”, reagiu Ventura, enquanto insistia que Portugal só precisa de imigrantes porque “pagamos mal aos nossos”. Avisou que muitos imigrantes acentuam as crises na habitação e na Saúde.
Houve acusações dos dois lados, mais moderado do lado de Seguro, mais agressivo do lado de Ventura; mas sem a gritaria de outros debates.
Mais perto do final, António José Seguro disse que Donald Trump é “amigo” de André Ventura e atirou: “O Ventura é pago para falar, eu sou pago para trabalhar”.
