
RUI MINDERICO/LUSA
O candidato a presidente da Republica António José Seguro
Seguro reúne 51% e Ventura 27%, a contar com abstenção: 87% diz ter escolha definitiva. Seguro lidera em praticamente todos os segmentos do eleitorado. Preocupa-se mais com as pessoas e é mais simpático.
A pouco mais de uma semana da segunda volta das eleições presidenciais, a mais recente sondagem Expresso/SIC (feita antes do debate de terça-feira e apresentada como a última antes do dia da ida às urnas na segunda volta) dá clara vantagem a António José Seguro sobre André Ventura.
Seguro reúne 51% das intenções de voto, enquanto Ventura fica pelos 27%. O número de indecisos somos nós 8%abaixo do registado antes da primeira volta, e há ainda 12% que assume abstençãocom 2% a prever votar em branco ou nulo.
Numa projeção sem abstençãousado para estimar o comportamento final dos eleitores que ainda não escolheram, a sondagem aponta para 66% a votar Seguro, e 34% dos votos para o líder do Chega. Mesmo do lado derrotado, um resultado na casa dos 34% permitiria a Ventura argumentar que voltou a elevar o patamar do seu eleitorado, sobretudo se a participação for baixa e se o voto de protesto se concentrar.
A maioria dos inquiridos diz ter tomado uma decisão firme: 87% afirmam ter já chegado a uma escolha “definitiva”. E a margem para mudanças de última hora parece limitada: apenas 8% dos que hoje apontam para Ventura admitem poder alterar o sentido de voto até ao dia da eleição; no campo de Seguro, essa abertura é ainda menor, 3%.
O motor da liderança de Seguro está na transferência de votos da primeira volta, adianta o Expresso. A sondagem indica que cerca de 70% dos eleitores que tinham escolhido candidatos como Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo tencionam agora votar em Seguro.
Mas há uma exceção nesta sondagem: o eleitorado de Cotrim de Figueiredo. Entre estes votantes, a adesão a Seguro é menos automática. Cerca de metade manifesta intenção de o apoiar, mas cresce o peso da indecisão e da abstenção.
Segundo os dados, Seguro lidera entre mulheres e também entre homens; vence entre os mais velhos, mas também aparece à frente entre os mais jovens; destaca-se entre licenciados, mas mantém vantagem entre eleitores com menor escolaridade; e surge acima de Ventura tanto entre quem vive mais folgadamente como entre quem sente mais dificuldades económicas.
Entre simpatizantes do Chega, o apoio a Ventura é quase unânime; o alinhamento dos simpatizantes do PS com Seguro é elevado, mas não absoluto. O padrão é claro à esquerda e no centro, onde Seguro recolhe maiorias, mas torna-se competitivo à direita: os eleitores que se posicionam nesse campo dividem-se praticamente a meio entre os dois candidatos.
A sondagem também analisa as qualidades dos dois candidatos. Seguro tem maioria absoluta em todos os pontos, exceto quando a pergunta é “qual o líder mais forte”, embora seja considerado mais forte que Ventura como líder (47% contra 33%).
Segundo a sondagem, além de ser o mais forte, Seguro é o mais simpático, o mais justo, preocupa-se mais com as pessoas, é o mais competente e o mais honesto entre os dois candidatos.
UM grande incógnita é a mobilização. A sondagem sugere que os que não votaram na primeira volta são um grupo mais equilibrado entre os candidatos — o que, em teoria, pode beneficiar Ventura. Mas precisamente por serem eleitores menos participativos, permanece a dúvida sobre se irão aparecer agora.
