
TIAGO PETINGA/LUSA
Nem Seguro, nem Ventura, diz Montenegro. Seguro ficou à frente, mas “a direita ganhou as eleições”, considerou o presidente do Chega, que se distingue como “o líder da direita”.
Os portugueses decidiram: André Ventura vai enfrentar António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais de 2026, a 8 de fevereiro.
Em reação inicial aos resultados, Ventura destacou-se como “o líder da direita”, mas o PSD não emitirá nenhuma indicação de voto na segunda volta das eleições presidenciais, anunciou pouco depois Luís Montenegro, que considerou que nem Seguro nem Ventura representam o espaço do seu partido.
Não clarificando se pretendia ou não obter o apoio do PSD e de Montenegro na segunda volta, Ventura reforçou que “a direita não perdeu”, mas sim “ganhou as eleições” — referindo-se ao número de votos em candidatos de direita, superior ao número de votos em candidatos de esquerda — e olhou para os resultados deste domingo como um copo meio cheio, apesar de ter traçado anteriormente como objetivo vencer a primeira volta por “larguíssima margem”.
“Isto significa uma coisa: quem hoje liderar a direita para a segunda volta tem a maior probabilidade de vencer“, disse André Ventura numa primeira reação aos resultados, à chegada ao hotel em Lisboa onde esteve a acompanhar a noite eleitoral.
“O meu trabalho, para além de agradecer aos portugueses, é agregar isto numa candidatura anti-corrupção, pelos jovens”, adiantou Ventura.
Criticando a “fragmentação total à direita” que se verificou no boletim deste domingo, Ventura sublinhou que, na segunda volta, “temos um socialista, e o país vai ter que decidir se quer que o socialismo volte para o poder ou se não quer”.
“O socialismo não deve continuar a ser poder em Portugal”, disse: “o facto de os eleitores me terem dado a liderança da direita deixa-me muito orgulhoso”.
Ventura deixou ainda uma promessa para as próximas três semanas de campanha. “Acho que todos compreenderão que, depois desta liderança da direita, que eu me dirija aos portugueses, e não a nenhum cargo”, adiantou, reforçando que “a luta contra o socialismo começa agora” e que vai “começar a trabalhar” por uma “alternativa à direita agregadora, unidaque acredita que “toda a direita quer”.
“Segundo o voto das pessoas, eu venci o espaço da direita. Agora é preciso que as pessoas digam se querem um socialista ou se querem o líder da direita”sublinhou o candidato, entre muita agitação, em Lisboa.
Portugal vai pela segunda vez na história para uma segunda volta em eleições presidenciais, e pela primeira vez em 40 anos, depois da segunda volta disputada entre Mário Soares e Diogo Freitas do Amaral, a 16 de fevereiro de 1986, nas quais os portugueses acabaram por eleger o histórico socialista, que colecionou 51,18% dos votos.
