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Starmer com o futuro político em risco após caso Mandelson, que envolve Jeffrey Epstein



O futuro político do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, pode estar comprometido depois de ter admitido que nomeou Peter Mandelson para embaixador nos EUA apesar da amizade deste com Jeffrey Epstein.

Nos últimos dias, analistas e deputados trabalhistas dividiram-se no prognóstico sobre o resultado da última crise política a envolver o líder do Partido Trabalhista e chefe do Governo britânico, Keir Starmer.

Muitas pessoas do próprio partido do primeiro-ministro, o ‘Labour’ (Partido Trabalhista), têm questionado a permanência de Starmer no cargo.

“A posição de Keir Starmer é claramente insustentável”afirmou, por sua vez, a líder do Partido Conservador (principal força da oposição), Kemi Badenochque desafiou os parlamentares adversários a coordenarem-se com a oposição para fazer aprovar uma moção de censura na Câmara dos Comuns (câmara baixa do parlamento britânico).

O que despoletou esta situação?

Starmer já estava sob pressão no início da semana devido à publicação de documentos do caso Epstein – acusado de múltiplos crimes de tráfico sexual de jovens mulheres e raparigas menores de idade -, que davam conta que Peter Mandelson encaminhou informações confidenciais ao milionário norte-americano enquanto era ministro do Comércio do então governo britânico trabalhista de Gordon Brown, em 2009.

A situação agravou-se na quarta-feira, quando o primeiro-ministro admitiu no parlamento que sabia que Mandelson manteve contacto com Jeffrey Epstein depois de este ter sido condenado em 2008 por aliciar uma rapariga de 14 anos para ter relações sexuaise que mesmo assim aprovou a sua nomeação para embaixador nos Estados Unidos.

“Ele mentiu repetidamente à minha equipa quando foi questionado sobre a sua relação com Epstein antes e durante o seu mandato como embaixador. Lamento tê-lo nomeado”, afirmou Keir Starmer, que acusou Mandelson de trair o país e o partido.

No mesmo dia, uma posição de revolta de deputados trabalhistas descontentes obrigou o Governo a aceitar divulgar todas as “comunicações eletrónicas e atas de reuniões” envolvendo Mandelson durante os sete meses em que este serviu como embaixador.

O primeiro-ministro reconheceu a seriedade do momento ao usar um discurso na quinta-feira para pedir desculpa publicamente às vítimas de Jeffrey Epstein por ter “acreditado nas mentiras de Mandelson” sobre a relação com o pedófilo norte-americano.

“Este escândalo expõe contradições entre os princípios éticos que ele defende”

Pará ou cientista político Timothy Heppellprofessor na Universidade de Leeds, esta crise acentuou as dúvidas sobre a competência do líder trabalhistaum advogado respeitado que foi diretor da procuradoria da coroa britânica.

“A sua popularidade assentou sempre na integridade pessoal e no bom senso”, recordou em declarações à Lusa, mas “para o público e o seu partido, o escândalo expõe contradições entre os princípios éticos que ele defende e as decisões que toma”.

Perante isto, acrescentou Heppell, “a posição de Starmer está agora sob intensa pressão, mas a sua saída está longe de ser inevitável“.

A demissão poderá ser forçada por um desafio direto à liderança por parte de um rival dentro do partido ou se a pressão interna sustentada no grupo parlamentar trabalhista continuar a aumentar.

“Meses de trajetória incerta”

“Uma mudança na liderança enfrentaria obstáculos processuais e políticos consideráveis” e um “processo demorado e arriscado”, salientou Timothy Heppell, que afirmou acreditar que a demissão voluntária de Starmer seja a opção mais provável.

“De qualquer forma, os próximos meses prometem intenso escrutínio, riscos elevados e uma trajetória incerta para a liderança trabalhistasem um calendário claro de como ou quando a situação poderá ser resolvida”, resumiu.

Na terça-feira, Peter Mandelson anunciou a intenção de abandonar voluntariamente a Câmara dos Lordes.

Mandelson foi nomeado para a câmara alta do parlamento em 2008, mas suspendeu funções no final de janeiro de 2025, após a nomeação para embaixador britânico nos EUA – posição da qual foi demitido oito meses depois, em setembro, devido a revelações sobre as ligações a Epstein.

O antigo ministro e ex-comissário europeu (entre 2004 e 2008) também abandonou o Partido Trabalhista.



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