
Sulcos que podem ser evidência de uma debandada de tartarugas marinhas a fugir. Foram encontrados por alpinistas, numa parede rochosa em Itália
Alpinistas descobriram, em Itália, acidentalmente, provas de uma debandada de tartarugas marinhas com 80 milhões de anos. Arqueólogos dizem que sulcos numa face rochosa com vista para o mar Adriático foram feitos por tartarugas marinhas a fugir de um sismo.
Os sulcos na face rochosa do Monte Cònero, com vista para o mar Adriático, foram descobertas por alipinistas, que, curiosamente, tinham um amigo geólogo.
Paolo Sandroni entrou depois em contacto com Alessandro Montanaridiretor do Observatório Geológico de Coldigioco (OGC), para que fosse ver aqueles curiosos vestígios.
Centenas destas marcas localizam-se numa camada de calcário Scaglia Rossa no Parque Regional do Cònero, uma formação que tem sido extensivamente estudada durante décadas e que preserva milhões de anos de sedimentação em mar profundo.
O que é agora parte de uma montanha foi em tempos um fundo marinho profundo que foi dobrado e empurrado para cima por forças tectónicas há milhões de anos, explicou Montanari, coautor do estudo a ser publicado na edição de fevereiro da Cretaceous Research, à Ciência Viva.
Como escreve a mesma revista, as amostras de rocha recolhidas imediatamente acima das marcas e analisadas pela equipa revelam pistas importantes sobre a localização das marcas e a história por detrás delas.
Por exemplo, sugerem que as tartarugas marinhas viveram há cerca de 79 milhões de anosdurante o Cretácico Superior, e indicam que o calcário fazia parte de uma avalanche submarina de lama desencadeada por um terramoto.
UM abundante atividade sísmica nesta formação é também sustentada por décadas de estudos coletivos. Lâminas finas das amostras de rocha revelam microfósseis de organismos que vivem ao longo do fundo marinho, sugerindo um ambiente de fundo marinho a centenas de metros de profundidade.
Normalmente, quaisquer vestígios deixados por animais seriam apagados pelas correntes no fundo do mar e por animais marinhos. No entanto, um terramoto terá provocado uma avalanche submarina poucos minutos depois de as marcas terem sido feitas, preservando-as – explicou Montanari.
Os únicos vertebrados suficientemente grandes para produzir estas marcas no Cretácico Superior eram répteis marinhos como tartarugas marinhas. Se o seu comportamento, espelhasse o de algumas espécies atuais, é possível que se alimentassem perto da costa ou saíssem da água para pôr ovos.
O que quer que as tenha reunido, aqui, a nova investigação aponta que foi um sismo que as levou a fugir todas ao mesmo tempo.
