
//Gage Skidmore; Firdaus Omar/Flickr
New START expira a 5 de fevereiro e deixa EUA e Rússia à beira de uma era sem limites verificados para arsenais nucleares, pela primeira vez desde 1972.
O tratado Novo INÍCIOo último grande acordo bilateral de controlo de armamento nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia, expira a 5 de fevereiro, num momento em que as conversações para a sua renovação ou substituição estão, ao que tudo indica, paralisadas.
Caso não haja entendimento, será a primeira vez, desde o início da arquitetura moderna de controlo de armas nos anos 1970, que Washington e Moscovo ficarão sem limites mutuamente verificáveis para os seus arsenais estratégicos.
Em vigor desde 2011, o New START estabelece um teto de 1.550 ogivas nucleares estratégicas “implantadas” por cada país e limita a 700 o número de mísseis e bombardeiros também implantados, explica o Política externa. Para além dos limites numéricos, o tratado inclui mecanismos de transparência considerados cruciais por peritos em controlo de armamento, como inspeções no terreno e trocas regulares de dados, destinados a reduzir a incerteza, prevenir cálculos errados e travar dinâmicas de escalada.
O ciclo de acordos começou a ganhar forma no início da década de 1970 e, durante décadas, serviu de travão parcial à corrida armamentista. E agora, como vai ser?
O primeiro grande tratado START (START I) foi assinado a 31 de julho de 1991, por George HW Bush e Mikhail Gorbachevapós negociações iniciadas ainda nos anos 1980, no final da Guerra Fria. O acordo viria a ter vários “filhos”, com novas versões e atualizações, incluindo a assinatura do New START em Praga, em 2010, por Barack Obama e Dmitry Medvedevnum clima de expectativa de “reset” nas relações. Em 2021, no início do mandato de Joe Bideno tratado foi prolongado por cinco anos — a extensão máxima prevista.
Entretanto, a Rússia suspendeu a sua participação no New START, embora sem o cancelar formalmente, em dezembro de 2022, na sequência da invasão da Ucrânia. A suspensão deixou, em teoria, uma porta aberta para retomar a implementação, mas na prática agravou a incerteza.
Moscovo acusou os Estados Unidos de procurarem “vantagens unilaterais” no âmbito do tratado; Washington acusou a Rússia de violar obrigações, ao recusar inspeções. As inspeções presenciais já tinham sido interrompidas em 2020, devido à pandemia de Covid-19, e não foram retomadas desde então, segundo o Intellinews.
As tentativas de abrir negociações para um acordo sucessor têm falhado repetidamente. O Departamento de Estado norte-americano afirmou em dezembro que continuava disponível para “discussões sem pré-condições”, mas Moscovo tem sustentado que não pode haver progresso enquanto considerar que está envolvida numa “guerra por procuração” com a NATO.
No fundo, está tudo em stand-by, por falta de confiança dos dois ladosembora Trump já tenha dito que a “desnuclearização” parece “uma boa ideia”.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Sergei Ryabkov afirmou este mês que um entendimento dificilmente será possível enquanto os EUA mantiverem políticas que a Rússia considera incompatíveis com os seus interesses.
A postura dos Estados Unidos também tem oscilado, em particular sob a administração Trump. Apesar de o presidente norte-americano ter declarado querer reduzir o número de mísseis nucleares no mundo, as conversações com Moscovo não produziram resultados até então.
Moscovo quererá que qualquer novo acordo inclua outras potências nucleares, como a China e o Reino Unido; Washington admite a necessidade de uma abordagem multilateral no longo prazo, mas insiste que os limites imediatos devem continuar a ser bilaterais entre EUA e Rússia, por serem os detentores dos maiores arsenais estratégicos.
A dias do “rasgar” do tratado, ninguém sabe ainda se Washington e Moscovo vão pôr para trás o que separa as duas nações para retomar as conversações.
